1º Domingo da Quaresma

Mc 1, 12-15

“Convertei-vos e crede no Evangelho”

Iniciamos a quaresma. Tempo de oração, reflexão e ação. De oração pois Jesus, antes e depois de suas atividades, ia para um lugar deserto, escondido, para rezar. Era a fonte onde se abastecia da força de Deus, seu Pai.

Tempo de reflexão pois Jesus meditava constantemente onde se abastecia da certeza de que Deus, seu Pai, lhe confiara a missão de libertação de todo o mal.

Tempo de ação por que Jesus sabia plenamente que veio a esse mundo para transformá-lo naquele mundo que Deus, seu Pai, sempre quis: uma terra de justiça, de amor, de alegria, de saúde e de paz. Tudo pelo seu agir pois uma fé sem obras é morta, é hipócrita.

A Palavra de Deus no Evangelho desse 1º domingo da quaresma nos revela a tentação de Jesus no deserto. Os evangelistas Mateus e Lucas, ao narrar as tentações de Jesus, descrevem o conteúdo delas. Marcos somente aponta que Jesus foi tentado mas nos recorda o essencial da tentação: ser tentado quer dizer: dever escolher!

A tentação é sempre uma escolha. Uma escolha entre dois amores. E se vence a tentação quando se escolhe o Amor Maior! O deserto é o lugar da escolha. Jesus é tentado a trair sua missão, mas venceu escolhendo fazer a vontade do Pai, seu Amor Maior.

O mandamento básico de toda a Lei bíblica do 1º Testamento diz: “Eu pus diante de ti a vida e a morte: escolhe!” Escolhamos a vida. Morremos porque escolhemos amores que não valem a pena.

Jesus vence a tentação escolhendo a beleza e a força da Boa Nova. “Deus olhou, viu o sofrimento do povo e disse basta!” Deus vem para que o mundo seja diferente do que é, para um mundo onde se possa viver bem, onde se possa encontrar a vida e não a morte, onde se possa encontrar a felicidade. A boa notícia que Jesus anuncia é o amor maior. Não confiemos em outros amores: na força, na opressão, no poder, no dinheiro, no mercado, mas no amor como escreveu S. João em sua 1ª carta ( 1 jo 4,16): cristãos são aqueles que acreditam no Amor!

Saibamos escolher entre a guerra e a paz, entre a violência e o afeto, entre a opressão e a libertação, entre a vingança e o perdão. A Campanha da Fraternidade desse ano nos confirma: Somos todos irmãos. E no refão da música nos indica a nova escolha a ser feita: sermos irmãos ou inimigos, sermos senhores ou escravos, sermos dominadores ou dominados.

“Fraternidade é superar a violência!

É derramar, em vez de sangue, mais perdão!

É fermentar na humanidade o amor fraterno!

Pois Jesus disse que “somos todos irmãos”

Não se evitam as tentações, mas passamos por elas (é a oportunidade de escolher entre 2 amores). Jesus nos ensinou no Pai nosso: “ não nos deixeis cair em tentação”. Não nos ensinou “ livrai-nos da tentação”, porque sem tentações não haverá salvação, não existirá escolha e sem escolha desaparece a liberdade.

Que nossa quaresma sirva para reflexão, meditação e ação afim de, entre os 2 amores que nos são propostos na tentação, sabermos escolher o Amor Maior: Jesus Cristo e sua mensagem de Boa Nova da libertação a todos os povos sem distinção.

Texto de Padre José Nacif Nicolau