1º Domingo do Advento

Lc 21,25-28.34-36

“Levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima”

Celebramos o 1° domingo do advento. O Tempo do Advento possui dupla característica: sendo um tempo de preparação para as solenidades do Natal, em que se comemora a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens, é também um tempo em que, por meio desta lembrança, voltam-se os corações para a expectativa da segunda vinda do Cristo no fim dos tempos. Por este duplo motivo, o Tempo do Advento se apresenta como um tempo de piedosa e alegre expectativa.

Neste 1º Domingo do Tempo do Advento, a Palavra de Deus apresenta-nos uma primeira abordagem à “vinda” do Senhor. O Evangelho é retirado de Lc 21,25-28.34-36 e encerra a atividade de Jesus em Jerusalém, antes de sua prisão, com um discurso sobre o fim.

Nosso evangelho usa a linguagem apocalíptica. Esse modo de escrever é típico de períodos de dificuldade, como é o contexto em que o evangelho Lucano foi escrito. Nosso evangelho foi escrito por volta do ano 90 d. C., ou seja, após a guerra judaica e a destruição do Templo de Jerusalém e também tempo de perseguição e conflito entre judeus e cristãos.

Diante de um contexto adverso o evangelho deste domingo apresenta-nos Jesus, o Messias filho de Davi, anunciando a todos os que se sentem prisioneiros: “alegrai-vos, a vossa libertação está próxima. O mundo velho em que estamos presos vai cair e, em seu lugar, vai nascer um mundo novo, onde conhecereis a liberdade e a vida em plenitude. Estai atentos, a fim de acolherdes o Filho do Homem que vos traz o projeto desse mundo novo”.

Nesse tempo do advento somos convidados pela liturgia a viver a esperança. É a Esperança que arranca o homem à narcose de uma existência sem futuro e sem expectativas. Vigilância e oração são duas atitudes de esperança que recebem seu dinamismo da meta que é: o confronto decisivo com o Filho do Homem.

Há, ainda, um convite à vigilância (cf. Lc 21,34-36): é necessário manter uma atenção constante, a fim de que as preocupações terrenas e as cadeias escravizantes não impeçam os discípulos de reconhecer e de acolher o Senhor que vem.