As dores das Marias de hoje

Como é de conhecimento de todos, a fé em Jesus Cristo chegou até nós por Maria, pois foi através de seu sim, sem titubear, que essa grande graça nos foi permitida, portanto Essa mulher tornou-se emblemática pára nós. Alguém já asseverou que não existe Jesus Cristo sem Maria. Consoante a isso em todas as Semanas Santas prestamos culto ao seu sofrimento, não em sentido masoquista, mas na intenção de que através deste conseguiremos no depurarmos do que é ruim em nós e alcançarmos um lugar na assembléia dos justos, diante do Pai. Então pela tradição elencamos tais dores ao número de sete, a saber:

1ª dor: Na alegria da apresentação de Jesus no templo, Maria se depara com o velho Simeão, que ao vê-los revela a dor que está por vir, ao dizer: A importância de Jesus está em que ele será motivo de queda e de soerguimento nos quais serão revelados os pensamentos de muitos corações. Ao ouvir essa profecia uma espada de lâmina pontiaguda atravessou, para todo o sempre, o coração de Maria. Consoante a isso, quantas mães embaladas na alegria de uma gestação, são acordadas pelos médicos, para uma vida de pesadelos, ao ouvir deste que seu filho, tão aguardado, terá uma lesão que o impossibilitará de ter uma vida igual às das demais crianças!

2ª dor: A ambição e o medo  de perder o poder, para o novo Rei que chegou, Herodes  manda eliminar todas as crianças. Consoante a isso um anjo aparece a José e Maria e os aconselha a fugir para o Egito. Hoje, passado tantos anos, presenciamos passivamente sentados nas confortáveis poltronas de nossas casas, famílias, oriundas das zonas de conflitos e guerras, fugindo para outros países na intenção de salvar a vida de seus filhos.

3ª dor: Por ocasião da Páscoa Maria, José e Jesus vão a Jerusalém. Em uma dessas viagens Jesus se perde de seus pais, quando esses retornavam para casa. Desesperados Maria e José retornam a Jerusalém em uma busca desesperada, até o encontrar no Templo a recitar Isaias para os doutores da Lei. Ao ser questionado por Maria sobre o seu desaparecimento, Jesus, sem a desrespeitar, mas com toda autoridade e firmeza lhe responde que estava cuidando das coisas de seu Pai, a isso José se entristece. Reportando aos dias de hoje, quantos pais não têm a alegria de encontrar seus filhos, quando perdidos, em procedimentos que o dignifiquem, pelo contrário os encontram caídos na sarjeta vitimados pelos vícios das drogas, pela coisificação do sexo e pelo crime!

4ª dor: Maria encontra Jesus no caminho da Cruz, caminho esse que refletimos nas quartas-feiras (na Matriz) e nas sextas-feiras (pela s ruas). Apesar do sofrimento, quando do encontro, Maria não se descabela e grita, simplesmente aceita e acredita no propósito traçados por Deus. Na obra de Henri Nowen “A Via-Sacra do Mundo” o mesmo assevera que quando o olhar de Maria e Jesus se cruzam, nesse encontro, existe uma compreensão no mistério dessa dor, na qual se oculta toda a esperança para um mundo melhor. Que Jesus é o caminho e o elixir para o sofrimento humano. Consoante a isso, quantas mulheres têm seus filhos ceifados pela violência do mundo e conseguem sem revolta a seguir sua jornada sem a sanha da vingança e até mesmo perdoando os algozes.

5ª dor: Maria se encontra aos pés da Cruz a contemplar todo o horror do sofrimento causado pela vilania humana tendo tão somente a companhia de João, o discípulo amado de Jesus e as duas Marias, de Cléofas e de Magdala. Essa triste cena poderá ser comparada a uma mãe dorense que encontra seu filho morto em uma lagoa, vitimado pelo tráfico de drogas, por duas famílias dorenses, quando encontram os corpos de seus filhos esquartejados vitimados, também, pelo tráfico de drogas.

6ª dor: Maria tem seus filhos nos braços, quando da descida Deste da cruz, quadro esse imortalizado por Michelangelo na escultura “A Piedade”. Baseado nessa dor Pe. Fábio de Melo assevera que tal dor não, por não ter explicação, não pode ser nomeada. Ele diz que se um filho perde uma mãe, tal dor é nomeada cormo orfandade; se uma viúva perde um marido ou vice-versa, tal dor é nomeada de viuvez; mas a dor de perder um filho, não tem nome. Realmente, quantos filhos são tirados dos braços de suas mães invertendo com isso a ordem natural, que deveria subsistir!

7ª dor: Maria ao ver seu filho enterrado está, totalmente, abandonada à sua dor, porém, não se desespera, não blasfema, pelo contrário, simplesmente segue confiante, que o sacrifício de seu filho, não pode estar atrelado ao sofrimento e ao olhar para a malta ensandecida emite a ela, tão somente, um sentimento de misericórdia, próprio de uma Mulher acima de todas as Mulheres. Na obra, já citada anteriormente, “A Via-Sacra do Mundo” Henri Nowen narra o sepultamento de um salvadorenho e esse é presenciado por sua mãe, que sofre uma dor silenciosa, dilacerante, porém pautada a uma fé, que o colocará em um caminho conduzido por Jesus, “O Misericordioso”.

 

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22 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Cursa Comunicação Social/Jornalismo na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).