22º Domingo do Tempo Comum

Ev Mt 16, 21-27

“Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga”. (Mt 16, 24).

A narrativa do Evangelho do domingo nos mostra Jesus declarando diante de seus discípulos ser necessário ir à Jerusalém, ser perseguido e sofrer por parte das autoridades religiosas, ser morto e ressuscitar ao terceiro dia. Essa linguagem não era muito bem compreendida pelos discípulos. Pedro reage a esta revelação de Jesus, pois ainda não havia compreendido a necessidade de que o Messias deveria sofrer e morrer crucificado. Jesus, no entanto, se afasta das concepções messiânicas do seu tempo. Não é um messias político, nem um simples profeta, mas tem consciência de que a obra da salvação predita pelo Pai deveria passar pela morte de cruz.

E àqueles que desejam segui-Lo, Jesus propõe a renúncia de si mesmo e a tomar a cruz. A renúncia à própria vida e o sofrimento tornam-se o caminho para por em destaque a grandiosidade do seguimento a Jesus Cristo. Esta linguagem deve ter sido difícil aos discípulos de Jesus naquele tempo, mas também o é para nós nos dias de hoje. O sacrifício, a renúncia aos bens materiais, ou o perder a própria vida por causa de valores do Reino de Deus, não se encaixam muito bem em nossa maneira de pensar e de concretizar o ideal do seguimento a Jesus pela nossa vocação de batizados.

Pelos ensinamentos do próprio Jesus Cristo e que a Igreja tem retomado na fala dos últimos Papas e também em seus documentos, pede-se de nós uma maior radicalidade na vivência dos valores cristãos. Ser cristão significa nosso encontro pessoal com  Jesus Cristo; o que nos leva a uma coerência de vida com aquilo que afirmamos ser nossa fé. E isso deve nos alegrar! O morrer cada dia na cruz tem sido a experiência de muitos de nós com as nossas fragilidades, nossas enfermidades, as situações de insegurança na vida da família que nos mostram ser isso hoje o tomar a cruz e seguir a Jesus Cristo.

D. Célio de Oliveira Goulart – Bispo Diocesano

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