2º Domingo da Páscoa

João 20,19-31

“A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”.

Os discípulos estavam fechados em casa por medo dos judeus. O medo sempre paralisa a vida, não deixa caminhar, impede-nos de abrir as portas de casa. O medo nos isola das pessoas.

Após o enterro de Jesus, todos escaparam, fugiram. E nada melhor para se proteger do que medrosos ficarem juntos. Porém é uma estratégia que não resolve, que não afasta o medo. Porque onde está tudo fechado falta o ar e se respira dor. Uma comunidade fechada, dobrada sobre si mesma, que não se abre, adoece.

É nessa comunidade fechada que Jesus Ressuscitado aparece para quebrar o medo, aparece no meio deles. Aparece não para lhes dar uma lição de moral, mas para trazer o dom da paz aos medrosos; para aquele que não crê oferece uma outra oportunidade: “olha, coloca o dedo nas minhas chagas”; para quem não acolheu o sopro do vento do Espírito, Jesus abre outros horizontes.

O medo é o contrário da fé. Se você tem fé você confia… se tem medo você esconde, ou fala mal de quem crê. Pedro e os outros discípulos, exceto Tomé, por medo estão ali fechados. Jesus entra no Cenáculo e em vez de dizer: “malvados, vocês não creram nas minhas palavras, não acreditaram que Eu era o Filho de Deus o Cristo, nem mesmo oraram uma hora para mim, nem na cruz estavam pois eram malvados e mentirosos… fugiram no momento em que um amigo mais precisava…EIS-ME AQUI e agora lhes darei tantos e tantos chutes e assim sentirão que Eu ressuscitei de verdade e que os chutes lhes farão um mal físico e verdadeiro (mas não espiritual)”

E Jesus nem de leve pensou nessas palavras mas se apresentou na paz.” A paz esteja convosco”.

Os discípulos tentaram convencer Tomé: ” Nós vimos o Senhor”. Mas Tomé, que era o mais livre de todos, pois teve a coragem de entrar e sair daquela casa, responde: “eu não me contento só de palavras. Se Ele está vivo, porque vocês ainda estão aqui fechados em vez de saírem ao sol do mundo? Se Ele está vivo, a nossa vida deve mudar !

Eis que Jesus entra e lhes diz: “a paz esteja convosco”. Não é uma promessa, mas é uma afirmação: a paz está com vocês! E dirigindo-se a Tomé, o corajoso que não teve medo dos judeus, diz: coloca aqui o dedo, olha as minhas mãos, estende as mãos e põe em meu lado. Jesus não impõe, mas propõe, respeita o tempo de Tomé fazendo-lhe uma pequena advertência como se faz com amigos.

Sobre aquele corpo de Jesus o amor escreveu a sua história com o alfabeto das feridas, das chagas, as únicas que não enganam. Indeléveis como o próprio amor. É o Senhor que vive com as feridas, as chagas. Só quando colocarmos as mãos nelas reconheceremos que Jesus está vivo hoje nos nossos irmãos pobres e necessitados, como ama dizer o Papa Francisco: Tocar a carne de Cristo no pobre… e então na profundidade da fé poderemos dizer como Tomé: “Meu Senhor e meu Deus “!

23 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Cursa Comunicação Social/Jornalismo na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).