3º Domingo da Páscoa

Lc 24,35-48

“A paz esteja convosco!”

O Evangelho deste 3º domingo de páscoa nos leva a uma reflexão sobre a PAZ. Jesus Ressuscitado não é um fantasma. Durante diversos anos de convivência com Jesus, andando juntos pelas mesmas estradas, no meio de Oliveiras, de pescarias, de andanças por muitos lugarejos, mesmo assim os discípulos não reconheceram Jesus naquela aparição. E a primeira palavra do Ressuscitado foi PAZ. “ Paz a vós” . Em cada encontro aqui na terra Jesus repetia essa palavra: PAZ ! Ele queria nos contaminar de paz.

Infelizmente, todos os dias aparecem nos meios de comunicação, mais motivações para a violência do que razões para a paz. Entretanto, precisamos afirmar: não fomos feitos para a violência. Nosso coração é habitado por um desejo profundo de paz: “Felizes os que promovem a paz!”

Paz reflete harmonia conosco mesmos, boas relações com os outros, aliança com Deus, enquanto a violência infecciona os relacionamentos, contamina a convivência, rompe os convênios, exclui os mais fracos. Há milênios esta palavra ressoa e ecoa na história dos povos. Inúmeros homens e mulheres a cultivam secretamente no coração. Todos a invocam. Muitos dão a vida, defendendo-a… Porém não há paz sem liberdade, não há paz sem verdade. A paz autêntica contém densidade humana. É paz de consciência inocente dos justos que fazem o bem, dos profetas que se arriscam em favor dos outros. Paz é humanidade alegre, espontânea, confiante. Paz não é sossego, não é concordân-cia em tudo, nem cumplicidade. Paz requer bravura. Somente o ser humano amante da paz é realmente “perigoso”, não o violento.Mas, a paz ainda não encontrou espaço para ser a companheira de estrada em nosso cotidiano, no dia a dia. Quanto ódio está a destilar nesses últimos tempos em nosso Brasil !!!

Após desejar-lhes a paz, Jesus percebe que eles não acreditam. Será um fantasma? Ele foi crucificado, morreu, foi enterrado! “não sou um fantasma”…” Tocai-me, olhai minhas mãos e pés os sinais dos pregos”.

“ Não sou um fantasma” é o lamento de Jesus ; é seu o desejo de ser abraçado fortemente como a um amigo que retorna de uma viagem de longe. Não se ama um fantasma.

E persistindo a dúvida Jesus lhes diz: “Vocês têm alguma coisa para comer?” “Comamos juntos”. Com este pequeno gesto do peixe assado, os apóstolos se convenceram e mais tarde mostrarão como prova decisiva: nós comemos com ele depois de sua ressurreição (At 10,41)…porque comer é o sinal de vida; comer juntos é o sinal mais eloquente de uma comunhão reencontrada, gesto que protege e dá mais força à vida. O alimento é uma realidade santa. Santa porque faz viver. E que o homem viva é a primeira de todas as leis, tanto na lei de Deus quanto nas leis humanas.

Jesus ressuscitado aparece sem pedir nada; Ele lhes presenteia. Ele não pede para jejuarem para Ele, mas para comerem com Ele.

Esta é a bela notícia do Evangelho: Jesus não é um fantasma, tem carne e sangue como nós. E só um coração em paz compreende a riqueza de tudo isso.

Devemos como ressuscitados em Cristo primar por construir “espaços de paz” e sermos presença pacificadora. De uma paz com estas marcas pois do contrário não será aquela paz que o ressuscitado veio nos trazer:

Uma Paz “solidária” que abraça os excluídos;

uma paz “resistência” que não se acovarda;

uma paz “audácia” que não se amedronta;

umapaz “limpa” que não corrompe a ética;

uma paz profética que encarna a justiça;

uma paz “rebelada” que não se dobra;

uma paz “ humanizada” como o coração de Deus;

uma paz “comprometida”em defender as vítimas, lutar contra todo poder que mata e desumaniza;

uma paz “ esperançosa” na vitória final da justiça de Deus.

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22 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Cursa Comunicação Social/Jornalismo na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).