9º domingo Tempo Comum

Mc 2, 23 – 3,1-5

O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado”

O tema central da missa de hoje é claro: O homem não foi feito para o sábado mas é o sábado que foi feito para o homem. A pessoa humana está acima de qualquer lei.

A finalidade da lei é traçar a estrada, apontar o rumo, mas não de levar a pessoa a perder a estrada por causa de infinitas minuciosas prescrições. Jesus coloca a pessoa humana como medida da lei. A lei não vale em si mesma; vale enquanto ela é para a pessoa, na direção de sua vida e de seu crescimento. Nossas atitudes e comportamen-tos devem seguir essa meta. Qual comportamento pode ser definido como religioso? É religioso o comportamento orientado por uma lei que é feita para a pessoa humana, para suas aspirações, para sua realização.

É anti-religioso um comportamento que achata, mortifica, oprime, sufoca a pessoa, bloqueia a sua liberdade, envenena a alegria de viver, despedaça a espontaneidade.

A linha de demarcação entre atitude religiosa e atitude anti-religiosa não é Deus mas o homem e a mulher. E Jesus ao afirmar que o sábado foi feito para o homem não só mostra o primado do homem e da mulher mas também o primado do outro, do fraco, do débil,do miserável que sofre.Não nos é consentido “guardar o sábado” contentando-nos em adorar a Deus, e repousarmos no nosso bem-estar material e espiritual, ignorando quem sofre, esquecendo-nos de quem não tem pão nem esperança.

Agora vou refletir com vocês sobre a 2ª parte do Evangelho de hoje: a mão seca. Como é bonita a mão! Quando olhamos para nossa mão como é maravilhosamente bem feita! Já notaram? Seus tendões, suas veias, a palma que pode acolher e recolher, os dedos que se estendem para comunicar com os outros, quase como que se os braços não fossem suficientes, sendo preciso eles estarem mais próximos uns dos outros.

Quando vemos na rua 2 jovens namorados caminhando de mãos dadas,parecendo que as duas palmas se beijassem ternamente fico mais comovido do que quando os vejo se abraçando ou beijando. Mas como é triste a mão que não tem vida… mão seca. É uma antena que não transmite mais nenhum sinal. É sem vida a mão que deveria fazer o bem, que deveria pegar o pão e reparti-lo com o pobre É sem movimento a mão que deveria tirar o cisco do próprio olho.

A mão que deveria ser elo de uma corrente com todas as outras mãos, infinitas mãos dos que querem caminhar na estrada da justiça e da liberdade. Elo das mãos que deveriam tocar a cabeça dos órfãos para lhes dizer que eles têm um Pai. Mãos de samaritanos na direção de quem está caído. Mãos que devem fazer o fruto crescer. Nossa mão estará seca quando não formos bons o suficiente. Quantas mãos secas ao nosso lado,não no corpo mas no espírito. Mãos de quem não tem amigos.Mãos secas que catalogamos apressadamente entre os egoístas ou indiferentes.

Nós vemos essas mãos secas todos os dias… e às vezes bastaria talvez um sorriso, uma palavra, uma saudação de bom dia, um gesto de carinho…e aquela sua mão seca se tornaria mão vigorosa, saudável. Bastaria um convite para cantar conosco, para um café, para uma excursão, um passeio. Convidar aquela pessoa a fazer um gesto de bondade para descobrir que ela pode ser útil., confiar em suas mãos.

Ao homem com a mão seca Jesus diz: vem aqui pro centro, pra frente, pro meio. Quantas pessoas teriam curada a mão seca se nós as convidássemos a vir ao centro de nossa igreja. Porque não fazemos? Muitas vezes por boas razões: o trabalho, nosso papel social, as nossas ocupações. Os homens da sinagoga tinham o seu sábado, as prescrições da lei! A mão seca de algumas pessoas serve somente para contar moedas e notas. “E Jesus os olhava com raiva, entristecido pela cegueira de seus corações.”

O mundo será diferente se nós todos ajudarmos a curar as mãos secas; se conseguirmos iluminar os nossos corações e os dos outros com a Palavra de Jesus; se desenvolvermos a capacidade de generosidade que Deus plantou em todos nós.

Se não tivermos preconceito de nenhuma mão que nos pareça morta conseguiremos juntar todas (as mãos de crianças, de jovens, de homens, de mulheres, de idosos) numa corrente de vida em volta da Terra essa nossa “Casa Comum” que se tornará nova, plena de mãos curadoras e curadas.

22 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Cursa Comunicação Social/Jornalismo na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).