Brincar é coisa séria

Quando se fala em criança a primeira coisa que vem a mente: “Criança só sabe brincar!” Verdade! Mas na   agitação de cada dia, não estamos atentos para dar a elas o tempo do cultivo da “vida interior”, tempo este importante para a criança encontrar consigo mesma e descobrir através da brincadeira o que gosta de fazer. Precisamos apreender a dar a estes pequenos seres a oportunidade de brincar, liberar sua criatividade, reinventar seu universo, liberar sua afetividade, suas fantasias, seu faz-de-conta, onde às levará a encontrar consigo mesma.

Por que brincar é importante e deve ser encarado com muita seriedade, “Quando uma criança brinca ela nutre sua vida interior, descobre sua vocação e busca um sentido para sua vida”. Logo, “brincar é bom, gostoso, dá felicidade, predispõem a criança a ser uma pessoa bondosa, a amar o próximo e principalmente partilhar fraternalmente a vida. Neste ato ela Desenvolve as potencialidades, provoca o pensamento, desenvolve a sociabilidade, faz amigos e aprende a respeitar o direito do outro” (Cunha p. 11).

O triste é que nem todas criança brincam! Muitas delas precisam trabalhar, estudar para ter altas notas, não podem brincar do seu jeito por que em alguns ambientes, elas atrapalham os adultos e seus espaços, outras não brincam por que são tratadas como adultos em miniaturas, e finalmente um grande número delas não brincam, por que não ter o que brincar.  No Brasil atual, “as casas estão cada vez mais apertadas e os adultos ocupados com seus afazeres e desejosos que as crianças não atrapalhem e tratem principalmente de estudar bastante” (Cunha p. 12). Com este olhar, sabe-se que os espaços de brincar da criança estão sendo drasticamente reduzidos.

Sabe-se que para o desenvolvimento saudável de uma criança é preciso oferecer a elas as formas mais variadas de brincadeiras dando as oportunidades de explorar, descobrir, xeretar, manipular. Assim sendo, como uma criança deve brincar? Elas precisam: Brincar sozinhas, pois a “criança que brinca sozinha aumenta a suas possibilidades de lidar com sua afetividade e de descobrir seus interesses” (Cunha p. 22).

Brincar de faz-de-conta, pois quanto maior for a imaginação da criança, maiores serão as chances de seu ajustamento no mundo ao seu redor. É saudável Brincar com outras pessoas ou grupo, desenvolvendo a sociabilidade, a prática da partilha entre o grupo, o trabalho em equipe, sabendo que a vitória de um é de todos. Assim, até os mais fracos de cada grupo, terão o prazer de vencer através das conquistas e vitórias de seus componentes.

De forma geral, brincar correndo, saltando, pulando… ajuda na saúde da criança, mas isto requer espaço para tal atividade. As brincadeiras desenvolvem as habilidades dos pequenos, e neste ato de brincar inventando, aprendendo, jogando e competindo, estas práticas tendem a colaborar para o desenvolvimento integral da criança, “assegurando delas o direito de brincar encontrando seu significado quando inserido numa sociedade influenciada pela mídia que passou a exigir um comportamento adulto daqueles que ainda não o são.

Assim, crianças que assumem uma agenda de horários similar a dos adultos, a outros ainda é imposta a responsabilidade pelo cuidado de irmãos menores, corre o risco de lhes faltar tempo para brincar, conversar, se divertir. (AMIN, 2007). É por isso que ao tratar neste artigo sobre a importância do brincar é preciso grifar: BRINCAR É COISA SÉRIA!

 

Fonte de pesquisa:

  • AMIN, Andréa Rodrigues. Dos Direitos Fundamentais. In: MACIEL,Kátia Regina Ferreira Lobo Andrade (coord.). Curso de Direito da Criança e do Adolescente. Aspectos Teóricos e Práticos. 3ª ed., rev. e atual. Rio de Janeiro: Editora: Lumen Juris, 2007. p. 31 – 60.
  • CUNHA, Nylse Helena Silva; Briquedoteca: Um Mergulho no Brincar, 4ª edição – São Paulo: Aquariana, 2007
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