Carrancas se despede de Monsenhor Jair, aos 88 anos

Foi com muita emoção, aplausos e palavras de admiração e carinho que amigos, fiéis católicos e religiosos se despediram nesta quarta-feira, 12, do Monsenhor Jair dos Santos Pinto, na Matriz Nossa Senhora da Conceição, em Carrancas. O sacerdote tinha 88 anos.

Com o adro da igreja repleto, Dom Waldemar Chaves de Araújo, bispo emérito da diocese de São João del-Rei, presidiu a missa e os ritos de exéquias, juntamente com o bispo emérito de Oliveira, Dom Francisco Barroso, o administrador diocesano, padre Dirceu Medeiros. A celebração reuniu mais de 50 padres, vindos de vários cantos da região e autoridades da cidade, que foi decretada luto no período de 72 horas.

Logo no início da celebração, padre Dirceu falou sobre a figura do sacerdote. Associou seus ensinamentos com o da beata Nhá Chica, por quem nutria devoção, e falou de seus feitos na comunidade. “Ele não foi um padre de sacristia. Tinha o cheiro das ovelhas, além de cuidar da espiritualidade do povo desta terra com zelo, terra que ele tanto amou, colaborou de modo fundamental para o incremento da saúde e educação da cidade..tinha prazer e entusiasmo em nos mostrar o hospital, as escolas, testemunho concreto de sua doação e liderança”, destaca.

O momento também foi de lembrança por parte do administrador diocesano. Segundo ele, um fato o havia marcado no início do ano, no dia do sepultamento do bispo Dom Célio. “Lembro do querido amigo, monsenhor Jair, visivelmente emocionado, já alquebrado pela idade e pela doença. Se aproximou e me disse ‘não poderia deixar de vir’. Naquele dia, naquela atitude digna e heroica daquele sacerdote ancião, pude constatar e concluir que nem tudo está perdido, que ainda há valor e dignidade sobre a terra”, recorda.

Não faltaram homenagens ao sacerdote. Manifestações de carranquenses, mindurienses e itutinguenses reforçavam o carinho do povo onde ele exerceu o ministério. “Foram mais de 45 anos de convivência. Aprendi muito com ele. Foram muitas as vezes que nos reunimos nesta praça para lhe prestar homenagens. Mas, sem dúvida, a mais especial é a de hoje, quando, realmente, celebramos a vida”, explica padre José Bittar.

Nas redes sociais, padre Alisson Sacramento manifestou os sentimentos. “Nos 88 anos de existência, sendo 62 anos de dedicação à Igreja, no sacerdócio, me encantou a sua maneira simples de viver. Sempre muito fiel à Santa Igreja, doado à causa do Evangelho e na alegria de servir a Cristo”, escreveu.

Após a celebração houve um translado do corpo pelos arredores da Igreja Matriz, onde foi sepultado na lateral esquerda do templo.

Monsenhor Jair nasceu em 28 de abril de 1930, na Fazenda do Pinhal em Baependi. Filho de Gabriel Pinto Ribeiro Filho e Maria Junqueira dos Santos Pinto, era o primogênito de 6 irmãos. Ingressou no Seminário Nossa Senhora das Dores, em Campanha, no ano de 1943, onde fez o curso de Humanidade em 06 anos. Em Mariana, cursou no Seminário São José, dos Padres Lazaristas, os cursos de Filosofia e Teologia, onde ficou até a ordenação, em 17 de dezembro de 1955.

Chegou em Carrancas em fevereiro de 1956 onde prestou diversos serviços religiosos, estruturais e sociais, recebendo o título “Cidadão Carranquense”, através da Lei nº 200 de 1963. Trabalhou como mentor e obreiro para ver prontos o hospital, a escola e a vila vicentina.

Conseguiu a criação de 11 escolas estaduais ruais e autorização para o funcionamento do Ensino Médio. Foi diretor da Campanha nacional de Educandários Gratuitos (CNEG) além de atuar como diretor de duas escolas e professor de Educação Religiosa. Em 1995 recebeu o título de ‘Monsenhor”.

Monsenhor Jair deixa a terra com a certeza de dever cumprido e de muitas lembranças e ensinamentos, por parte de quem o teve em convivência.

23 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Cursa Comunicação Social/Jornalismo na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).