Compasso: um passado presente na história do Congado

Foto: Lucas Silveira

O congado é um festejo popular afro-brasileiro mesclado com elementos religiosos católicos, com um tipo de dança dramática, celebrando a coroação do rei do Congo, em cortejo com passos e cantos, onde a música é o fundo musical da celebração.

É um movimento cultural sincrético, um ritual que envolve danças, cantos, levantamentos de mastros, coroações e cavalgadas, expressos na festa do Rosário, plenamente no mês de outubro. São utilizados instrumentos musicais como cuíca, caixa, pandeiro e reco-reco. Os congadeiros vão atrás da cavalgada que segue com uma bandeira de Nossa Senhora do Rosário.

Está é uma tradição que é passada de pai para filho, quando o antecessor deixa todo um legado com histórias para que aquilo, que já foi vivido, possar servir de inspiração para a próxima geração que virá.

Desde de pequenas as crianças acompanham os pais nesses cortejos, sempre atentas a tudo o que acontece ao seu redor. Por esse motivo, é importante documentar esses acontecimentos. Para que essas fotos também sirvam de inspiração não só para quem convive nesse meio, mas também incentivar as pessoas de fora a apreciar e reconhecer o quão bonito e importante manter viva essa cultura.

Foto: Lucas Silveira

Para o senhor Inácio Gonçalves de Souza, que reside em Cláudio/MG, o seu papel é manter a tradição do congado através dos filhos, netos e bisnetos, que o acompanham no cortejo do divino. Ele faz parte do congado ha mais de 50 anos e relata que, a família Marcelino reside em uma comunidade onde toda a população é negra e atuante na manifestação cultural. Lá eles se utilizam de uma organização e de uma comissão, registradas na Secretaria de Agricultura da cidade, para promoverem cerca de dez festas anuais pelo interior do Estado.

Esta manifestação folclórica, de formação afro-brasileira, se destaca por manter as tradições da história e princípios religiosos do povo de Angola e Congo, que mesclam cultos católicos com africanos.

O ritual é composto de canto, dança, batuque, figurinos coloridos, levantamento de mastros e artigos que fazem referência a festa de Nossa Senhora do Rosário. Para Willian Fernandes da Silva, membro do Grupo Nossa Senhora Aparecida, de Passatempo/MG, preservar a tradição do Congado significa “reproduzir a história do negro e reforçar a devoção à Nossa Senhora do Rosário e gratidão à Princesa Isabel pela libertação dos escravos.”

O folguedo conta com manifestações derivadas, como a tradição do Moçambique de Jomba e Carijó, que são ritmos dados a essa demonstração cultural e religiosa. Tadeu Nascimento de Souza, membro e capitão do grupo do bairro São Geraldo, lamenta a falta de recursos que dificulta a sobrevivência da tradição do Moçambique. Ele conta que, para manter a corporação, os próprios integrantes se mobilizam para arcar com os custos de materiais, e acentua que a força motivadora vem de seus antepassados que viveram no período de senzala.

23 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Cursa Comunicação Social/Jornalismo na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).