Dia das Mulheres: a batalha das “Marias” de hoje

Juliana Bicudo

Guerreiras e poderosas, as mulheres estão cada vez mais conquistando o seu espaço de direito e provando que elas têm força, garra e competência para conquistar tudo aquilo que desejam e, claro, para isso enfrentam todas as barreiras que encontram pelo caminho.

Na Bíblia, Antigo e Novo Testamento apresentam histórias de mulheres de fibra, destemidas, guerreiras. Rute, Raquel e Ester são exemplos da força feminina que, com fé e sabedoria, conseguiram salvar seu povo. Maria, a mãe de Jesus, também é modelo de mulher batalhadora. Enfrentou dificuldades, sem questionar a Deus. Sem perder a fé.

Mas se engana que pensa que estes exemplares femininos ficaram apenas nas histórias bíblicas. Para onde você for, sempre haverá uma mulher com histórias ticas de luta e superação. Inclusive na igreja. Em nossa Diocese.

Não precisa ter reinos e guerras. A história de Dona Maria José Elias é tão simples como a de muitas “Marias” brasileiras. Nascida em Dores de Campos no dia 11 de outubro de 1958, desde criança ajudava sua mãe nas lidas domésticas com alegria, disposição e humildade. Foi criada em uma família simples, mas nunca deixou que a tristeza embalasse sua vida. Na sua mocidade casou-se com Antônio Tadeu Elias e no início do casamento sofreu muito com o alcoolismo do marido e as incompreensões advindas de sua caridade com o próximo. Antes de ser a Maria José da Toca, trazia os mendigos para sua casa e alimentava-os. Nesse tempo já tinha os filhos Leandro, Patrícia e Rodrigo, que foram criados dentro desse clima de amor ao próximo, na intenção de serem pessoas do bem.

Na preocupação com os desvalidos sua fama tornou-se conhecida na cidade e sua casa não tinha espaço para acomodar todos os necessitados da cidade e de outros recantos do Brasil. Nessa luta pela ajuda aos desvalidos aliou-se ao jovem Eduardo Teixeira e ao marido, que, atualmente, a apoia. Apesar dos poucos recursos financeiros começa a servir, diariamente, uma sopa, rica em nutrientes, a isso pede donativos à comunidade.

Mas com o tempo o anseio de ajudar tornou-se mais intenso, devido à crescente demanda consegue o empréstimo da casa do finado “Antônio Arruda”, que atualmente pertence ao seu neto Marcelo. Devido ao tamanho da nova casa pôde abrigar mais internos, que se alimentam, dormem e trabalham no cultivo de uma horta comunitária, quando todas as hortaliças são vendidas para a comunidade. A casa tem o clima de harmonia e simplicidade, própria dos lares onde reina o amor.

Dona Maria José é um exemplo que deve ser seguido por todos, pois personifica as verdadeiras palavras bíblicas de Jesus: “Doar o pouco que tem aos pobres”, tal qual a pobre viúva, que deu os últimos tostões como esmola na igreja. A emblemática Maria José também reza o terço no mês de outubro dedicado a Nossa Senhora Aparecida e diversas guloseimas. Nessa ocasião comemora com as crianças, seu aniversário.

Essa querida figura dorense, perdeu sua filha Patrícia de maneira trágica, mas nunca perdeu a fé em Deus. Atualmente cuida de sua neta Marina Aparecida Elias da Silva, com todo cuidado de uma mãe, com um cuidado de Maria. (Colaboração: Sirlene Aliane / Pascom Dores de Campos)

Maria Euzébia de Carvalho tem 86 anos é catequista desde os 15. Sempre preparando e formando crianças para a Primeira Eucaristia. Para ela, é uma benção dedicar seu tempo para os trabalhos da Igreja. “Sinto uma enorme felicidade nesta missão de catequista. Anos e anos, novas crianças chegando alegres, com os rostinhos mais lindos, puros e contagiantes a espera de algo novo acontecer em suas vidas. Vindo buscar Jesus através de meus ensinamentos. Cada ano permitindo-me vivenciar novas experiências e buscar novos aprendizados”, explica a professora aposentada que teve que driblar seu tempo para ajudar na evangelização. “Trabalhei a minha vida toda. Não casei, mas sou a segunda filha de oito filhos de minha família. Ajudava meus pais nas tarefas de casa, cuidava de meus irmãos menores e estudava. Com o passar do tempo trabalhava como professora, sempre colaborando com meus pais. Porém, nada me impedia de dedicar com muito amor este tempo precioso e sagrado para a Igreja que é minha maior riqueza”.

Com tantos anos de dedicação, claro, muitas recordações ficam gravadas na cabeça de nossa Maria. “Alguns anos atrás, primeiro dia de encontro da catequese, recebendo as crianças, um menino lindo – claro todos eram lindos – mas este menino era diferente. Nos apresentamos, ele me disse todo alegre e com uma convicção enorme pela sua idade de dez anos, que queria ser padre. Eu acolhi com grande entusiasmo e carinho a fala daquele menino. Hoje, este menino é o Padre Javé Domingos Silva, Pároco da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus da cidade de Minduri”, recorda.

Questionada se, por alguma vez, pensou em largar essa missão, Maria Euzébia responde prontamente: “Em momento algum pensei em largar de ser catequista”. Mas isso não quer dizer que o caminho foi tranquilo. “Claro, existem dissabores e dificuldades em nossas vidas, tudo serviu de experiência para o meu crescimento espiritual. Sempre rezo pedindo a Jesus misericordioso e bondoso uma vida de plena renovação; pedindo, também, sabedoria, força e coragem; e agradecendo pelo dom da vida pelos meus 86 anos bem vividos. E, tudo o que viverei ainda, não sei até quando, não sei o que me espera o amanhã, mas em qualquer situação vivida e em minhas atitudes que sejam para me aproximar sempre de Deus”. (Colaboração: Bete Sá / Pascom Madre de deus de Minas).

Ela pode até não chamar Maria, mas Ana Lúcia Sotani Nery tem uma história parecida com a Dona Euzébia. Ana também é professora e conduz encontros de catequese há 20 anos. A correria do dia a dia é grande. Conciliar as funções do trabalho, com os serviços de casa e voluntariado não é algo fácil, mas com muito planejamento tudo dá certo. “Às vezes o de casa fica um pouco a desejar”, expressa sorrindo.

Se fez a escolha certa? Ana Lúcia não hesita e logo responde com uma história. “O que mais marcou como profissional foi no APAE, quando uma aluna não andava e, como ela não tinha quem a ajudasse a levar ao banheiro, fui a guiando. A menina foi segurando nas paredes e veio junto comigo. Enfim, a menina começou a andar. Isso foi muito gratificante”, recorda.

Junto com Ana está Diva Maria Ferreira Rios, que trabalha como auxiliar de escritório e é catequista há a 30 anos. O interesso pelo trabalho voluntário? Veio da mãe, Dom Conceição, a catequista mais antiga da Paróquia do Pilar. “Trabalho por necessidade. Sou catequista por amor”. Seu dia é todo planejado entre serviço profissional e os voluntários. “Às vezes não é fácil conciliar tantos afazeres, mais Deus está sempre ajudando e dando força”, explica. (Colaboração: Edir/ Pascom Pilar).

Maria Cristina Camarano é coordenadora de Liturgia da Paróquia São João Bosco, em São João del – Rei, e já atua na igreja há muitos anos. “Sou aposentada e na minha casa toda a família tem alguma função (na Igreja). Dessa forma é possível conciliar o trabalho de casa e o trabalho na igreja, além do trabalho voluntário que realizo”, explica a voluntária que recorda de alguns momentos em seu trabalho religioso. “Na catequese tive muitas coisas lindas, testemunhos de muitas crianças, várias que vem nos contar de sua vida e sentem saudade da catequese. Sei que tem horas que, realmente a gente tem vontade de largar tudo, mas não temos coragem. Sabemos que mesmo nas horas difíceis, Maria passa na frente”, explica. (Colaboração: Samuel Daldegan/Pascom Dom Bosco).

Enfim, nesta data especial, Dia Internacional da Mulher, não dê apenas flores e chocolates. Dê o respeito, amor e valorização. Afinal, o que seria dos trabalhos pastorais sem essas mulheres?

Reportagem da Pastoral Diocesana de Comunicação (Pascom)

COMPARTILHAR
Departamento de comunicação