Fé, tradição e emoção marcam Paraliturgia do Encontro em São João del-Rei

Foto: Lucas Silveira

Como de costume o quarto domingo da quaresma amanhece diferente em São João del-Rei. Ao som dos acelerados “dobres” dos sinos e do aromático cheiro de rosmaninho, o clima de Semana Santa chega com antecedência na cidade. Conhecida por suas tradições peculiares, a histórica cidade celebrou ontem, 11, a Paraliturgia do Encontro que recorda a tocante cena de Jesus e Maria no caminho do Calvário.

A programação teve início na sexta-feira, 09, com o Depósito de Nossa Senhora das Dores. Saindo da Catedral do Pilar, a imagem da Virgem Dolorosa foi encaminhada para a Igreja de Nossa Senhora do Carmo. O mesmo ocorreu com a imagem do Senhor Bom Jesus dos Passos, que, em depósito, foi direcionado a Igreja de São Francisco de Assis, na noite de sábado, 10.

Os variados sentidos humanos são aguçados em tamanha cerimônia. Na cor roxa dos tecidos, das roupas das imagens, das flores que enfeitam os andores, das fitas que adornam os sinos. Nas músicas, sons, melodias e vozes. Através dos instrumentos, no toque dos sinos, na marcha das bandas, nos motetos da Orquestra Ribeiro Bastos. No perfume do rosmaninho, do manjericão, incenso ou da colônia aplicada sobre a fita que se beija. No sabor das amêndoas, da pipoca, do algodão-doce e de todas as guloseimas vendidas na praça onde as imagens se encontram, comandadas pelo sermão.

Proferido por padre Vinícius Idelfonso Campos, pároco da Paróquia São José, o momento foi de profunda reflexão sobre os encontros de hoje. Em contexto da Campanha da Fraternidade, o sacerdote falou sobre a violência, vícios e maus tratos contra idosos. Para ele, a celebração é um grande auxílio para a conversão. “Vemos em Maria um testemunho de nunca perder a esperança em meio às dores. No Cristo o testemunho de que é possível vencer o mal com o bem. Assim, repensamos nossas atitudes e lutamos contra o pecado que nos afasta do amor de Deus”, afirma.

Olhos atentos marcaram toda a cerimônia. Emoções não faltaram, principalmente para aqueles que acompanharam a cerimônia pela primeira vez como o jovem Francis Portela. “Achei muito profundo as palavras do padre. Essa associação dos pecados que cometemos no dia a dia. Da situação do governo e a precariedade na saúde. Da pedofilia, violências e abusos. Levantando todos esses pontos e reforçando que Jesus morreu por nós. Que Maria sofreu ao ver seu filho flagelado e crucificado. Foi emocionante”, explica.

Já o lavrense Daniel Tostes viu as palavras como uma oportunidade de avaliar as posturas da vida. “Me ajudou a rever minhas atitudes em algumas situações de minha vida cotidiana. Nosso Senhor dos Passos está sempre pronto a guiar nossos passos. E a Virgem Dolorosa está sempre pronta a nos oferecer seu colo de mãe”.

Após o tocante encontro as imagens, juntamente com os fiéis, saíram em procissão rumo a Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar. Durante o percurso, os fiéis puderam acompanhar os Motetos dos Passos como “O Senhor Deus”, “Miserere”, “Popule Meus”, “O Vos Omnes” e “Adoramus Te”. Todos, executados pela Orquestra Ribeiro Bastos.

No interior da Catedral, padre Vinícius proferiu o Sermão do Calvário, encerrando assim as comemorações de 2018.

22 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Cursa Comunicação Social/Jornalismo na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).