Leigos, proclamadores da Palavra

Voltado para o serviço de louvor a Deus e santificação dos homens, é direito e dever de todo cristão a participação plena no mistério de salvação que a Igreja celebra, estando sempre a serviço e a caminho do Reino. Para isso, cada um deve viver plenamente a fé e estar em atitude orante.

Primeira e fundamental escola de fé para os fiéis, a Igreja cresce e se constrói ao ouvir a Palavra de Deus. Lugar central da Liturgia, o pão da Palavra nos é oferecido antes do pão da vida eterna (a Eucaristia). Fruto da renovação litúrgica do Concílio Vaticano II, a Palavra de Deus chega inicialmente à assembleia, por isso a importância e dignidade da sua função ministerial. Tem ela valor sacramental, por isso não deve ser apenas lida, mas proclamada, a fim de se tornar celebração, festa, acontecimento salvífico.

O proclamador da Palavra deve se preparar para o exercício da função, familiarizando-se com o texto e com o gênero literário a que ele pertence, revelando, pela leitura, ter assimilado a mensagem que transmite. Não só “fazer a leitura”, mas proclamar a Palavra, de modo a tornar seu exercício um gesto sacramental. Estar a serviço de Cristo que, através da nossa leitura, da nossa voz, da nossa comunicação, quer falar pessoalmente com o povo reunido.

O Espírito está presente na pessoa que lê e atuante também nos ouvintes, para que acolham a Palavra em suas vidas. Muitas comunidades ainda sofrem com o formalismo e a rotina, males que devem ser curados com urgência. Redescobrir a Liturgia da Palavra como um diálogo vivo, amoroso e atual de Jesus Cristo com seus discípulos. Para que o “Graças a Deus” dito pelos fiéis ao final seja realmente um ato de louvor e não um desabafo por ter ouvido uma leitura mal proclamada, alguns cuidados devem ser observados, tais como:

Vocalização, ou seja, pronunciar bem cada palavra, com boa dicção e boa articulação, ritmo da leitura e observação da pontuação. Volume da voz, modulando-a e mudando seu tom conforme o texto e o gênero literário a que pertence. Conhecimento prévio do texto: comentários, leituras, salmos e oração da assembleia. Tomar contato com a Palavra de Deus, sentir o prazer e a alegria de acolhê-la e meditá-la, saborear seu conteúdo, para que possa dar o verdadeiro testemunho do que proclama. Ler e meditar a Palavra em casa, de modo a emprestar a Cristo sua voz e seu jeito de se comunicar. Olhar para a assembleia sem perder o ritmo e dando ênfase ao que se destaca. Cuidar da acústica, aproximando ou distanciando o microfone. Posição digna e correta diante do ambão. Usar o Lecionário. Vestir-se adequadamente: calças e sapatos pretos e vestes próprias para a leitura. Participar de encontros de formação e retiro.

“Leitura não é aula, não é informação, não é noticiário. É Jesus presente com o seu espírito, falando na comunidade, anunciando o Reino, denunciando as injustiças, convocando a comunidade, convidando-a para a renovação da Aliança, à conversão, à esperança, à ação, purificando-nos e transformando-nos”.

Colaboração: Professor Benedito da Silva Moraes
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Departamento de comunicação