O Escapulário do Carmo, sinal de amor mútuo

Neste mês de julho a Igreja celebra a festa de Nossa Senhora do Carmo, devoção ligada à história do primeiro grupo de religiosos na história da Igreja todo dedicado à Virgem Maria. De fato, os Carmelitas, desde quando nasceram em 1298, num vale do bíblico Monte Carmelo, na Galileia, erigiram uma capela dedicada a Nossa Senhora e eram conhecidos como os “Irmãos da Virgem Maria”.

​Duas eram as personagens inspiradoras daqueles homens que se dedicavam à oração, ao trabalho manual e à acolhida de peregrinos: Maria e Elias, o profeta. Dois objetos do vestuário tornaram-se símbolos desta dupla proteção à Ordem. Historicamente estas duas peças do hábito carmelitano tiveram uma sequência temporal.

​Primeiro o símbolo da capa ou manto. A capa (inicialmente listrada e depois branca) que os carmelitas usavam sobre a túnica, sempre foi para eles o sinal de Elias, o profeta, sinal de seu duplo espírito (2Re.2,9), que os carmelitas interpretaram como sendo os dons da contemplação e da ação, da intimidade com Deus e do serviço aos homens. Segundo 2Re.2,12 Elias entregou a Eliseu seu manto. Segundo a tradição carmelitana, todos os carmelitas recebem o duplo dom de Elias representado no manto com que se revestem.

Durante um século, a capa ou o manto era a peça mais importante do hábito carmelitano, e grupos de leigos que aderiam à Ordem no decorrer do tempo, passaram a utilizá-la, em diversos tamanhos, sobre os ombros. Em alguns lugares, mulheres que procuravam viver sob a inspiração dos Carmelitas, eram chamadas de “manteladas”, por causa daquela capa.

​A partir do século XIV, porém, a recordação de um evento irá colocar outra peça do vestuário carmelitano em evidência e em maior importância sobre a antiga capa. Em 1247, Nossa Senhora aparece a São Simão Stock, prior geral da Ordem, atendendo à sua insistente súplica, em meio a muitas dificuldades pelas quais a Ordem passava.

Nesta aparição, Maria entrega, misticamente, ao santo prior, um escapulário, peça já antiga no vestuário dos monges, formada por duas tiras compridas de pano, colocadas sobre os ombros, de modo que cada uma delas cobrisse a túnica pela frente e pelas costas. Trata-se de um tecido usado como avental, para proteger a túnica. Mas, com este gesto de Nossa Senhora, os Carmelitas passam a usar o Escapulário como sinal permanente da proteção da Virgem que, durante a aparição, prometeu aos carmelitas e a quantos se revestissem do escapulário, seu maternal auxílio nesta vida e a salvação eterna na outra.

​Padre Vieira diz como os Carmelitas foram privilegiados por serem filhos de Maria e filhos do Profeta, merecendo receber de ambos a capa e o escapulário, por meios divinos e celestes: o Pai, entregando a capa aos filhos ao subir da terra ao céu; a Mãe, consignando o escapulário aos filhos ao descer do céu à terra.

​Ao descer do céu à terra para entregar-lhes o Escapulário, manifesta-se o amor daquela que os carmelitas, desde sempre, invocam na Salve Rainha, como mãe de misericórdia, implorando que a Virgem volva sobre eles aqueles seus olhos cheios de amor. Ao mesmo tempo em que é sinal do amor filial de quem o aceita e o usa. Afinal, qual o filho não aprende a amar sua mamãe, como resposta natural a tanto amor que dela recebe?

Amar, para os filhos, significa aprenderem dela, deixarem-se conduzir por ela, revestirem-se de suas virtudes, daquelas mesmas virtudes que a fizeram exemplo de discípula, que crê, espera e ama perfeitamente seu misericordioso Deus, a quem se uniu pelo Cristo, o Verbo encarnado.

​Eis a origem e o significado do Escapulário. Com o tempo, os Carmelitas o divulgaram, e para facilitar a que um número maior de fiéis pudesse participar daquele movimento de amor que existe entre o Carmelo e Maria, o escapulário tomou a forma que conhecemos, pequenina e prática, e pode ser, desde Paulo VI, abençoado e imposto aos fiéis por qualquer sacerdote, segundo a fórmula aprovada pela Igreja. O Papa Paulo VI também decidiu que o escapulário pudesse ser substituído por uma medalha.

​Todos quantos se revestem do Escapulário, trazem sobre os ombros o sinal de serem felizes por serem filhos de tal mãe, daquela que em todos os momentos ama-os, cuida premurosamente deles e lhes dá o precioso dom de seu Divino Filho e, ao trazê-lo consigo, recordar-se-ão sempre de viverem e comportarem-se como dignos filhos dela.

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22 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Cursa Comunicação Social/Jornalismo na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).