Paróquia do Sagrado Coração de Jesus (Minduri)

Forania: Andrelândia

Padroeiro: Sagrado Coração de Jesus

Dia maior: Data móvel em junho ou julho

Pároco: Pe. Javé Domingos da Silva

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História

Em 06 de junho de 1912 a EFOM, Estrada de Ferro Oeste de Minas, inaugurou, no Sul de Minas, uma estação que recebeu o nome de “Paiol” em referência a uma antiga fazenda existente na localidade. Em torno da estação foram construídas sete residências para os funcionários da ferrovia. Os moradores do povoado, católicos em sua quase totalidade, se dirigiam aos municípios vizinhos como São Vicente Férrer, atual São Vicente de Minas e Aiuruoca, e às capelas de São José do Favacho e do Espírito Santo, ambas construídas no século XVIII, para participar das missas e para batizados e casamentos.

No dia 24 de setembro de 1920 o vigário de São Vicente Férrer, padre José Ferreira Leite celebrou, a pedido dos servidores da ferrovia, a primeira missa campal do povoado do Paiol. A celebração teve lugar no pátio da estação ferroviária. Durante a homilia, o celebrante exortou os fiéis para que se mobilizassem e construíssem uma capela. A sugestão foi acatada e, em 06 de março de 1923, um terreno foi doado ao Bispado de Campanha, então sob a orientação do Bispo D. João de Almeida Ferrão, para a construção da pequena igreja que, no entanto, seria inaugurada somente 5 anos depois, em 1928. O terreno localizava-se na Avenida Orlandino Souza Andrade, pouco acima da atual Casa Paroquial de Minduri.

Segundo Ary Furtado (1997) a construção da capela foi patrocinada pelos fazendeiros Antônio Luiz Furtado, da Fazenda Coqueiros, Nestor Esaú dos Santos, da Fazenda Retiro e Francisco Antônio Vilela (Coronel Chichico) da Fazenda Curralinho. O altar mor e dois nichos foram construídos por José Furtado de Souza, entalhados em madeira de cedro. Quanto à escolha do padroeiro, que seria, por solicitação do patrocinador Francisco Antônio Vilela, Nossa Senhora da Conceição, cuja imagem já havia, inclusive, sido adquirida por ele, houve um impasse. A esposa de Francisco, Ana Gabriela de Jesus, conhecida como Donana, era membro do Apostolado da Oração e desejava que o padroeiro fosse o Sagrado Coração de Jesus. Ela mobilizou os moradores do pequeno povoado e insistiu, colocando na questão seu esforço pessoal de esposa e apóstola, até que o padroeiro escolhido fosse o Sagrado Coração de Jesus. Para ratificar a decisão, foi pintado, na fachada da capela, um grande coração vermelho, com uma chaga e uma cruz envolta por chamas douradas e rodeado de espinhos: o Coração de Jesus.

Em 24 de março de 1928, ocasião em que foi benta a nova capela, realizou-se o primeiro batizado de um filho de moradores locais. Mais tarde, em 1934, Ana criaria o Apostolado da Oração em Minduri. Ainda segundo Furtado, a capela marcou a vida do povoado com festas movimentadas e cheias de alegria, muitas delas conduzidas pelo vigário de São Vicente Férrer, padre José Ferreira Leite, o mesmo que anos antes, pleiteara sua construção. Muitas vezes o padre trazia aparelhagem elétrica própria, para iluminar a pequena praça em frente à capela. São desta época as primeiras festas do padroeiro de Minduri, hoje com mais de 70 anos de tradição.

O crescimento do povoado exigiu um local com mais espaço. Uma comissão foi encarregada de angariar recursos para a construção, desta vez, de uma igreja. Seria mais sensato preservar a capela e construir a igreja em outro local, já que terrenos não faltavam no recém formado arraial, mas talvez justamente por falta de um terreno legalmente doado, decidiram demolir a capela. Nos trabalhos de demolição o altar mor e os nichos foram atirados ao tempo e acabaram por ser levados como lenha. No mesmo local foi construída uma igreja que ficou conhecida como “igreja do Chico Mundéo”, apelido de seu construtor. A obra não foi concluída, chegando mesmo a cair, em vista de inúmeros defeitos na construção. Diante disto, via-se o povoado novamente sem uma capela. Por muitos anos as missas foram celebradas ao ar livre, num terreno ao lado da atual Casa Paroquial de Minduri. Os mindurienses, para participar das festividades religiosas, como as da Semana Santa, tinham que alugar caminhões (que eram adaptados com assentos improvisados feitos com tábuas) para levá-los a São Vicente de Minas.

Somente na década de 50 (quando o povoado já se elevara à categoria de município com o nome de Minduri, em referência a um acidente geográfico da localidade) foi escolhido outro lugar, num terreno doado por Homero Penha de Andrade, irmão de Donana, distante aproximadamente uma quadra do primeiro, onde, aproveitando materiais da primeira capela, foi erguida a terceira igreja do povoado que é a atual matriz do Sagrado Coração de Jesus. Sua construção deu-se sob a orientação do Padre Francisco Leopoldino Ribeiro, conhecido como padre Chico e foi concluída em 1957, pelo padre José Vicente de Araújo. Neste mesmo ano, a cidade de Minduri foi elevada à categoria de Paróquia integrando a Diocese de Campanha. Em 1960, com a criação da Diocese de São João del-Rei, a paróquia do Sagrado Coração de Jesus passou a pertencer à recém criada diocese.

Características arquitetônicas – Bens integrados – Bens móveis

O estilo arquitetônico da igreja de Minduri pertence à fase de transição entre o ecletismo e o modernismo. Sua inserção no topo do morro é significativa, colocando o templo em destaque na paisagem urbana. Tem capacidade para cerca de 500 pessoas. O paisagismo dos jardins do entorno foi projetado por Marco Antônio de Resende Leite, em 1988.

No altar há uma imagem do Sagrado Coração de Jesus, esculpida em madeira de cedro policromado, medindo 2,20 m de altura por 0,90 cm de diâmetro. A madeira foi doada em 1997 por Adilson Aguiar e a escultura foi realizada pelo artista plástico Roberto Guimarães.

O artista também esculpiu as imagens do Senhor Morto, Senhor dos Passos, Nossa Senhora das Dores e Nossa Senhora das Graças. Todas as imagens fazem parte do acervo da igreja matriz com exceção da última, que integra o do Salão Paroquial Nossa Senhora das Graças. O acervo da igreja matriz é variado, constando de várias imagens sacras, objetos e vestimentas litúrgicas, além de livros e bens móveis de grande valor para o patrimônio histórico devocional dos mindurienses.

Colaboração: Mailon Maciel

FONTES:

FARACO, Francisco José Alves e PENHA, Sônia Maria Moura. Paiol, Andradina, Minduri. Prefeitura Municipal de Minduri.2003
 
FURTADO, Ary. História de Minduri.Edição própria. 1997
 
Acervo do Departamento de Cultura e Patrimônio de Minduri – Inventários e Documentos
 
Fonte oral: José de Andrade (Lule)
 
Dicionário dos Municípios Mineiros – acervo da Biblioteca da E.M. Durval Souza Furtado de Minduri/MG
 
Acervo particular SHCR, Compilação, entrevistas e redação:
 
Sandra Helena do Carmo Rodrigues – Especializanda em História e Cultura pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC Minas

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CEP: 37.447-000 – Minduri – MG

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