Pedro e Paulo, colunas da Igreja

Celebramos as colunas da Igreja, Pedro e Paulo. Dizemos, no credo, que nossa Igreja é apostólica. De fato, pois a Igreja está assentada sobre o fundamento dos apóstolos, como o antigo Israel estava alicerçado sobre as doze tribos de Israel. (Ap. 21, 14) Foram eles, Pedro e Paulo, a base da Igreja nascente. Duas figuras de vulto: Pedro e Paulo. Cada um a seu modo contribuiu para o crescimento da Igreja e a propagação do Evangelho. O que eles tem em comum? Duas características. Ambos estão unidos pela coroa do martírio, derramaram seu sangue por causa de Cristo e ambos tinham também seus limites humanos. Contudo, a Graça de Deus agiu neles, afinal, “Deus sabe trabalhar e agir também com instrumentos insuficientes”. Ao ler este simples artigo quero convidá-lo a abrir sua Bíblia e conferir as citações constantes deste texto.

Pedro é uma figura controversa, como nós também o somos. Capaz de jurar fidelidade ao Senhor é também capaz de negar a Cristo diante de uma criada. Percebam: uma mulher e ainda por cima escrava foi capaz de intimidar Pedro e ele afirmou com firmeza “não conheço este homem”! Pedro também chorou amargamente sua infidelidade. O olhar de Jesus desmascarou Pedro e ele chorou lágrimas de arrependimento. (Cf. Lc 22, 61) Ninguém resiste ao olhar de Jesus. Mas, como o Senhor não leva em conta nossas fraquezas, reatou a aliança com Pedro. Depois de interrogá-lo, por três vezes, se ele o amava; Jesus confiou a Pedro a grave tarefa de conduzir a Igreja, apascentar o rebanho de Cristo. (Cf. Mt. 16, 18-20; Jo 21, 15-19) Pedro, primeiro papa, tornou-se o sinal visível da unidade da Igreja. A ele Cristo deu o “poder das chaves”, de ligar e desligar. A figura de Pedro nos recorda o tema da unidade. Devemos trabalhar, incansavelmente, pela unidade. No âmbito familiar, de trabalho, na Igreja devemos ser promotores da comunhão e da unidade. Cumpre-nos também orar pelo Santo Padre, o Papa, que tem a missão de conduzir a Igreja.

Paulo também carregava suas fraquezas. Ele tinha as mãos sujas de sangue inocente. Antes de sua conversão, a caminho de Damasco, participou do martírio de Estevão. Mesmo após sua conversão foi recebido com desconfiança pelos apóstolos e pela Igreja de Jerusalém. (Cf At. 9, 26) Paulo necessitou do testemunho de Barnabé para ser acolhido pela Igreja de Jerusalém. (Cf At. 9, 27) Paulo nunca negou sua fraqueza, sempre fazia menção a ela. Neste belo texto que segue, São Paulo demonstra que a Graça o capacitou e agiu nele de modo decisivo: “E o Senhor disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte”.(Cf. 2 Cor. 12, 9-10)

Paulo se considerava um “abortivo”, isto é um filho nascido fora do tempo. Se considerava ainda o menor dos apóstolos, ou ainda, nem sequer digno de receber este nome. (Cf. 1Cor. 15, 8-9) Mas, depois de nos debruçarmos rapidamente sobre a personalidade de Paulo, ressalto sua missionaridade. Pedro é o sinal da unidade da Igreja, pois em todas as listas do doze apóstolos ele aparece como o primeiro. (Cf. Mt 10, 1-4; Mc 3, 13-19; Lc 6,12-16; At 1, 13)Em contrapartida, Paulo se destaca como “apóstolo dos gentios”, ou seja, separado pelo Espírito Santo para levar o Jesus aos povos que não eram de origem judaica. Devemos a Paulo a propagação da fé cristã. foi um incansável missionário. Ele chega a listar os sacrifícios sofridos por amor a Cristo, vale a pena ler. (Cf. 2Cor 11, 24-28). Contudo, não tornou-se amargo, mas antes encarou as tribulações que sofreu por amor a Cristo serenamente: “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós. Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos. (2 Cor 4, 7-9) Paulo nos recorda a dimensão missionária da Igreja. Estamos em comunhão profunda com aqueles (as) que se dedicam a missão evangelizadora em regiões hostis ao Evangelho, as vezes, colocando em risco a própria vida. Ademais, nesta festa, somos convidados a uma tomada de consciência: pelo batismo, somos todos missionários. Para ser missionário, não é preciso, se dirigir a outro país. Pode ser que sua casa, seu ambiente de trabalho ou de lazer sejam “terra de missão”! E ali, naquele ambiente, você e eu, somos chamados a ser “luz do mudo”, “sal da terra” e “fermento na massa”! Em suma, uma presença que faça a diferença.

grey whte abstract wave background design

COMPARTILHAR
22 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Cursa Comunicação Social/Jornalismo na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).