Que eu seja misericórdia

Há alguns anos atrás, quando participei de um curso de formação na área de RH, me deparei com uma palavra que marcaria o resto de minha vida: empatia. O dicionário a define como sendo a capacidade de compreender o sentimento ou reação da outra pessoa, imaginando-se nas mesmas circunstâncias.

Cerca de cinco anos depois, me apresentaram à Misericórdia de Deus e foi então que eu descobri que empatia e misericórdia eram a mesma coisa: Colocar-se no lugar do outro!

Amar… o maior gesto a que Jesus nos convidou! Amar é aceitar o outro como ele é com tudo o que ele traz em si. Todavia não é possível amar verdadeiramente se não formos capazes de agir com misericórdia para com o nosso objeto de amor. Se apenas suportamos os defeitos ou toleramos as falhas, não amamos verdadeiramente porque não nos colocamos no lugar do outro para compreendê-lo em sua totalidade.

Só por misericórdia somos capazes de amar…

Aprendemos ao longo de nossa caminha na fé que a Misericórdia de Deus seria o último recurso ante nossas misérias, contudo, o Papa Francisco, ao instituir o Ano Santo da Misericórdia vem nos convidar a refletir e a viver, antes e acima de tudo, a Misericórdia!

Vivenciar a misericórdia é abaixar e olhar nos olhos do excluído, do rotulado, do separado e dizer “Ninguém te condenou? Nem eu te condeno!”; é olhar para o alto da árvore da periferia e dizer “vem! Hoje eu ficarei em sua casa!”; é aceitar a acolhida, o abraço, a comida daquele a quem tantos acusam e evitam; é ficar dias e dias na janela esperando o filho que saiu para se perder no mundo ou o marido que saiu para beber e, quando o avistar, correr ao seu encontro.

É dizer, os teus pecados, tuas falhas, tua grosseria, teu desamor, tua ganância estão perdoados porque eu sei que você teve uma dura experiência de vida. Que você foi ferido pelas pessoas em quem mais confiava, que a vida lhe bateu muitas portas na cara, que ninguém lhe estendeu a mão… que você é hoje um pouco de tudo o que a vida fez com você. E porque eu me coloco no seu lugar e me compadeço de ti, estou ao seu lado e te amo!

Somos uma vez mais agraciados por ter à frente da nossa Igreja um Santo Pastor, que mais do que com palavras bonitas nos ensina através de gestos concretos de misericórdia. Alguém que nos contempla na totalidade a ponto de saber que precisamos de um pouco diversão e nos convida a um espetáculo circense, como fez semana passada em Roma. O Papa Francisco VIVE a misericórdia e mais do que reuniões, projetos e eventos, quer de cada um de nós, nesse ano extraordinário, gestos concretos de misericórdia.

O convite nesse ano jubilar é para colocarmo-nos no lugar do outro, mais do que sentir pena pela dor do outro, é sentir a dor do outro, como se nossa fosse. Como mãe que sou, cada vez que vejo minhas filhas doentes, chego a pedir a Deus que passe para mim a dor delas, que eu sinta em meu corpo aquilo que dói no delas. Eis o que o Pai faz conosco e nos convida a fazer com nossos vizinhos, colegas de movimento, familiares, desconhecidos…

Senhor, que nesse Ano Santo eu aprenda a compreender o sentimento e as atitudes daqueles com quem convivo, imaginando-me nas mesmas circunstâncias. Que eu seja Misericórdia!

Tatiana Angélica de Oliveira Almeida Leonel

Membro da Comunidade Ponte de Misericórdia

Casada, mãe de 2 filhas, estando mais um a caminho

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