Racismo e a mudança de paradigma

Foto: Lucas Silveira

Diante de um mundo que vive a “globalização da indiferença”, nos perguntamos: Por que tanta dissolução? Somos seres semelhantes, por que nos tratamos de forma tão desigual? Primeiramente, temos de nos situarmos dentro da lógica do sistema econômico mundial, o capitalismo. Minimamente falando, esse sistema econômico está em constante movimento e necessita de nós para sermos as engrenagens, ou seja, somos subprodutos do produto final (capital). Dentro dessa dinâmica, surgem as desigualdades sociais que avassalam nossa sociedade e permeia sobre a base, os mais pobres e desfavorecidos. Sabiamente, papa Francisco bem disse na primeira entrevista de seu pontificado: “vivemos como se fosse numa Torre de Babel (…), não nos preocupamos mais com o ser humano e sim com os tijolos que estão caindo do alto (bolsa de valores)”. Antes de tudo, temos de esclarecer que o catolicismo não condena o capitalismo e sim as práticas que oprimem e fazem as mazelas sociais.

Perpassando esse itinerário existencial, avistamos um dos espectros de tudo que foi dito outrora, o racismo, insólita ação humana que perscruta o mais íntimo de nossas essências a ponto de gerar inúmeros desequilíbrios éticos, morais, psicossociais dentre outros. Não estamos afirmando que a origem do racismo vem do capitalismo, apenas estamos pondo uma hipótese sobre um dos porquês do preconceito ser tão acentuado na contemporaneidade. O significado mais comum do termo é a junção de duas palavras, raça mais (+) ismo, que juntas formam a palavra “racismo” (conjunto de ideias, predisposição ou propensão). Em suma, conceitos pejorativos concernentes à raça e etnia.

A priori, observamos que precisamos modificar o paradigma, o padrão que temos para nos sensibilizar e socializar. De começo, substituir o termo tolerância por aceitação. Quem tolera, se obriga a algo, acorrenta-se em preconceitos de segunda mão, não pensam que do outro lado existe um ser humano que independente de raça ou etnia tem o mesmo direito.

O novo paradigma que propomos talvez não seja novo, mas dentro da atual conjuntura que vivemos, rememora o significado e aparenta-lhe como “novo” por tal ousadia frente aos poderes mundanos. Da mesma forma que a coerção humana nos “ensina” a diferenciar e julgar pessoas simplesmente por suas raças e etnias, troca-se o paradigma por uma ação generosa e façamos o contrário, aprendamos a amar e

principalmente a olhar com os olhos de Cristo, olhos que não enxerga o exterior e sim o ser humano em sua essência plena. Diante desse contexto que findamos com as célebres palavras de Nelson Mandela: “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele ou por sua origem, ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender. E se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto”.

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22 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Cursa Comunicação Social/Jornalismo na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).