A raiz humana e o cuidado com a criação

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É próprio do ser humano trabalhar e modificar o ambiente no qual vive. Isso se deu desde que o homem é homem e podemos chamar esse fenômeno de cultura. A interação que fazemos com o meio ambiente que nos rodeia parece ser algo natural de nosso ser, mas com os avanços tecnológicos muitas vezes parece que estamos interagindo mal com esse ambiente e, como nos disse o Papa Paulo VI: “os progressos científicos mais extraordinários, as invenções técnicas mais assombrosas, o desenvolvimento econômico mais prodigioso, se não estiverem unidos a um progresso social e moral, voltam-se necessariamente contra o homem”. É importante, então, que tenhamos um pouco mais de consciência ao utilizar-nos dessa casa comum e, por isso, o Papa Francisco quis dialogar escrevendo a Laudato Si.

Assim, confiando na capacidade humana de mudar positivamente diz: “A humanidade possui ainda a capacidade de colaborar na construção da nossa casa comum”. Francisco acredita que é urgente renovar o diálogo sobre a maneira com a qual estamos construindo o futuro.

Entre os temas que ele propõe para a conversa, os principais são: “a relação íntima entre os pobres e a fragilidade do planeta, a convicção de que tudo está estreitamente interligado no mundo, a crítica do novo paradigma e das formas de poder que derivam da tecnologia, o convite a procurar outras maneiras de entender a economia e o progresso, o valor próprio de cada criatura, o sentido humano da ecologia, a necessidade de debates sinceros e honestos, a grave responsabilidade da política internacional e local e a cultura do descarte e a proposta de um novo estilo de vida”.

Como vemos, esses temas são muito amplos e tocam desde os seres mais frágeis e que sofrem mais com as desigualdades que vivemos até a maneira de entender-nos no mundo como homens e mulheres. O que me parece importante é que o Papa se vale de um tema que está candente nos dias atuais de todos aqueles que se preocupam por um mundo melhor, sejam eles crentes ou não. É um ponto comum de apoio, no qual Francisco tem a esperança de “unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral”.

Indo já para alguns aspectos que poderíamos chamar de mais práticos ou evidentes, Francisco nos alerta sobre diversos problemas de nível ecológico/social que nos são familiares, mas com os quais quer, justamente, dialogar com todo o mundo. São eles: A poluição e as mudanças climáticas, a questão da água, a perda da biodiversidade, a deterioração da qualidade da vida humana e a degradação social, a desigualdade planetária, a fraqueza das reações e a diversidade de opiniões. São vários os temas e todos parecem ter uma importância grande na discussão de como devemos cuidar bem da nossa casa comum.

No centro de toda essa discussão me parece que está o homem. Esse homem que modifica o ambiente e que, ferido pelo pecado, se confunde em seu atuar, gerando males enquanto procura o Bem. Centrar-nos no homem e na sua busca por reconciliação, que tem sua plenitude em Jesus Cristo, pode ser o ponto de partida para uma mudança mais profunda e consistente. Se é preciso chegar à raiz do problema, essa se encontra no coração do homem ferido pelo pecado. E aí que precisamos lutar, começando pelo nosso próprio coração.

Com um coração cada vez mais reconciliado, poderemos espalhar essa reconciliação pelo mundo e isso com certeza terá consequências na nossa relação com a casa comum que nos foi dada por Deus. Dessa maneira cuidaremos dela com mais eficácia, amor, sentido de responsabilidade e sempre pensando em cumprir o projeto de Deus que diz respeito também ao mundo em que vivemos.

João colunista assinatura

Fonte: A12

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22 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Cursa Comunicação Social/Jornalismo na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).