Senhor, fazei-me um instrumento de vossa paz

Senhor, fazei-me um instrumento de vossa paz. Assim começa a Oração conhecida como de São Francisco de Assis. Mas na verdade ela não foi composta por São Francisco. Vamos ao uma breve explicação.

A Oração pela Paz apareceu pela primeira vez em 1913 numa pequena revista local da Normandia, na França. Vinha sem referencia de autor e foi transcrita de outra revista. Universalizou-se a partir de sua publicação no Obsevatore Romano, no dia 20 de janeiro de 1916. Era o tempo da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e, por toda parte, faziam-se orações pela paz. Pouco tempo depois da publicação da Oração pela Paz em Roma, um franciscano, Visitador da Ordem Terceira Secular de Reims, na França, mandou imprimir um cartão tendo de um lado a figura de São Francisco com a regra da Ordem Terceira Secular na mão e do outro a Oração pela Paz. No final uma pequena frase dizia: “essa oração resume os ideais franciscanos e, ao mesmo tempo, representa uma resposta às urgências de nosso tempo”. Com última essa frase a oração ficou conhecida como “Oração de São Francisco”.

Essa oração realmente revela aquilo que São Francisco viveu e pregou, revela seus ideais. Em sua vida ele buscou testemunhar a paz e promovê-la em todas as situações e a cada pessoa que encontrava, com a reconciliação, a esperança, o conforto, a alegria, a verdade, a fé e o amor. São Francisco não só falava e vivia a paz, mas também exortava os seus frades para que levassem a todos, em palavras e ações, a saudação: “O Senhor te dê a Paz”.

Francisco sabia que a paz era um dom de Deus, e era para todos, sem exceção. Mas ele sabia, e nós também sabemos, que para ela acontecer realmente tem que ser exercitada a cada dia. Assim como praticamos tantas coisas na vida, temos que PRATICAR A PAZ! Portanto:

 “Fale de paz” – usar expressões no dia a dia que sejam edificantes, boas, que enobreçam as pessoas, que respeitem o outro, que promovam a dignidade do irmão, e que revelem o que há de bom em você mesmo. Como diz o Evangelho: “A boca fala do que está cheio o coração.” (Mateus 12:34). Muitas vezes saem de nossa boca injúrias, ofensas, fofocas, maus tratos, xingamentos que nos dificulta para falarmos de paz.

 “Ouça a paz” – deixar entrar pelos ouvidos e no coração mensagens de serenidade, de confiança, de amor, de paz, de bondade, de esperança, de justiça que nos levem a realizar a vontade de Deus. Como diz o Evangelho: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem”. (João 10:27). Muitas vezes deixamos nossos ouvidos à mercê de noticias, de programas, de conversar e sons, desagradáveis, violentos, agressivos e deprimentes que não nos ajudam a comunicar da paz.

“Veja a Paz” – procurar olhar com mais positividade as situações da vida; ver o lado bom das pessoas, ver o valor de cada um; ter um olhar de misericórdia e de acolhida para com todos mesmo nas contrariedades da vida; deixar Deus olhar para você e sentir sua presença. Como diz o Evangelho: “Então Jesus olhou para os que estavam assentados ao seu redor e disse: ‘Aqui estão minha mãe e meus irmãos! Quem faz a vontade de Deus, este é meu irmão, minha irmã e minha mãe’” (Marcos 3:31-35). Muitas vezes temos um olhar pessimista, um olhar negativo sobre tudo e todos que não nos deixa perceber a paz.

Tudo isso acima são expressões práticas que nos fazem sentir a paz, promover a paz, ser instrumentos da paz. Temos que acreditar que a paz é possível criando a cultura da paz em nosso tempo, em nosso dia a dia, em nossos afazeres, em nossa família. Como diz a música: “Depende de nós…” Somente assim é possível sermos anunciadores e construtores de paz, em fidelidade criativa a São Francisco de Assis que era homem da paz.

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22 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Cursa Comunicação Social/Jornalismo na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).