Solenidade da Natividade de São João Batista

Lucas 1, 57-66.80

“Eu te farei luz das nações” 

Em todo o Brasil, mas especialmente nas regiões do norte e nordeste, existem as festas tradicionais de S. João, celebradas com alegria, muita comida, bebida, danças e trajes típicos, à luz da tradicional fogueira. A Igreja, já no séc VI, reservou o dia 24 de junho para comemorar o nascimento de João Batista.

Santo Agostinho escreveu: “A Igreja celebra o nascimento de João como um acontecimento sagrado. Dentre os nossos antepassados, não há nenhum cujo nascimento seja celebrado solenemente como o de João Batista. Celebramos seu nascimento, e também o de Cristo: tal fato tem uma explicação…

João apareceu como ponto de encontro entre os dois Testamentos,o Antigo e o Novo.O próprio Senhor diz:‘A Lei e os profetas até João Batista’ Lc16,16 . Antes mesmo de nascer,já é assinalado;revela-se de quem seria o precursor, antes de ser visto por ele” Homem simples, austero, corajoso, apontou o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Deu testemunho da luz, aplainou os caminhos e preparou o povo para acolher o Salvador.

A celebração do seu nascimento nos associa à alegria de Isabel, de Zacarias e dos vizinhos, porque Deus se lembra de nós, indica os caminhos da salvação e aponta os horizontes da liberdade.

João é o seu nome.

João Batista é a figura de referência essencial na igreja, baseando-se no sério convite feito por Jesus: “Dentre os nascidos de mulher ninguém é maior que João” disse Jesus. Por isso João Batista é o único santo, além de Maria, que a igreja celebra de modo solene seu nascimento. De todos os outros Santos e Santas é celebrado o dia de suas mortes. Isso mostra como a figura de João Batista é importante.

A intenção de Lucas no evangelho é fazer um paralelo entre João e Jesus dando importância a João mas colocando Jesus acima de tudo, porque alguns achavam que João Batista fosse mais importante.

Para conseguir tal finalidade, São Lucas não faz um discurso biográfico, mas mostra as promessas de Deus, apresenta a anunciação a Zacarias, demonstra a concordância entre os pais sobre que nome dar ao recém-nascido, revela a prodigiosa intervenção de Deus em Zacarias que depois de mudo volta a falar.

Completado o tempo, Isabel “deu à luz um filho ”: todo filho ou filha vem ao mundo querido por Deus, pois a Deus pertence. Os pais sentem que a criança pertence a uma história maior, que os filhos não são dos pais: pertencem a Deus, pertencem a sim mesmos, à própria vocação, pertencem ao mundo. Os pais são como o arco que dispara a flecha para fazê-la chegar mais longe, porque os filhos são parte de uma história muito maior. Assim João se tornará o anunciador da vinda do Messias, testemunha forte, exigente, austera que pagará com a vida sua fidelidade a Deus. O Evangelho conta o nascimento de João de maneira maravilhosa, pois sua missão é nobre e veio para anunciar a vida nova e melhor para o povo.

Seu nascimento é motivo de alegria e festa, pois Deus ouve as súplicas e socorre as pessoas pobres e aflitas. A mãe Isabel diz que o menino se chamará João. O Deus, que conduz a história, age e ilumina também na hora da escolha do nome. João é um nome significativo, carregado de promessas, promessas da bondade e misericórdia de Deus para com os oprimidos. Zacarias ficou mudo porque não tinha acreditado no anúncio do anjo. Fechou o ouvido do coração e então perdeu a palavra, perdeu a fala. Não escutou e agora não tem mais nada a dizer. É uma indicação que nos faz pensar. Quando nós cristãos, nós padres, deixamos de lado a referência à Palavra de Deus e à vida, tornamo-nos afônicos, insignificantes, não enviamos nenhuma mensagem a ninguém.

Há uma revolucionária revirada das partes, o sacerdote que deveria falar se cala porque está mudo e é a mulher que toma a palavra: ele se chamará João, que em hebraico significa: dom de Deus. Isabel compreendeu que a vida e o amor que sente dentro de si são um pedacinho de Deus.Que a identidade de sua criança é a de ser “dom”. Esta é também a identidade profunda de todos nós: o nome de toda criança é “dom perfeito” qualquer que seja seu nome no cartório.

O duvidar de Zacarias não pára a ação de Deus. Isto é algo consolador: os nossos defeitos, a nossa pouca fé não bloqueiam as águas rio de Deus.

Depois Zacarias escreve numa tabuleta,aceitando o nome do filho; João,dom de Deus, imediatamente retomando a fala começou a bendizer a Deus. A Bendizer: Dizer bem! A benção é uma energia de vida, uma força de crescimento e de nascimento que desce do alto,chega até nós, nos envolve e nos faz viver a vida como um débito de amor que se paga somente doando novamente vida.

Que será esse menino? Grande pergunta a ser repetida com veneração diante do mistério de todo berço.

Para nós, é ocasião para redescobrirmos o valor da profecia, no interior da igreja.Um cristianismo acomodado, institucionalizado, mais ligado ao templo que à rua corre o risco de se distanciar da estrada traçada por Jesus. João batista recorda ao nosso cristianismo de poltrona e chinelos que a paixão por Deus, pela verdade e pela justiça é uma obrigação nossa pelo batismo que recebemos mas que pode nos levar ao martírio. Pelo batismo recebemos a missão de profetizar e de denunciar, como João, a injustiça, a mentira e a opressão.

Precisamos de testemunhos proféticos, como João Batista, capazes de denunciar a corrupção, as injustiças e de conduzir o povo para Deus para criar um mundo melhor, mais justo e mais fraterno.

22 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Cursa Comunicação Social/Jornalismo na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).