Sua família é missionária?

Em Outubro vivemos o mês missionário e em Novembro, iniciamos, no Brasil, o ano do laicato, onde será destacado e incentivada missão do leigo na vida da Igreja. Estes dois meses nos lembram que o leigo é também um missionário, pois todo batizado é missionário.

Além de missão individual de cada batizado, hoje se faz necessária também a missão familiar. Cada família, simplesmente por buscar viver seu cotidiano na trilha do Evangelho, já está sendo instrumento de evangelização para outras famílias. E, se a família está envolvida em atividades estruturadas de Evangelização, seja um ou todos os seus membros, como na Pastoral Familiar e demais movimentos e serviços, aí a missão se torna mais expressiva e abrangente.

Muitos de nós estamos envolvidos em atividades pastorais diversas. Algumas vezes somos até enviados formalmente em missão pela paróquia ou diocese. Contudo, logo começamos a fazer “corpo mole” e vamos mudando o rumo das coisas. Não queremos saber de estudo e formação. Queremos fazer do nosso modo e colocamos condições, as mais variadas possíveis como não posso no domingo pois é dia de futebol, não trabalho com fulano ou cicrano, não vou neste encontro pois me custa 30 minutos no trânsito, não isso, não aquilo…

A missão em nossa rua, comunidade e paróquia é muito importante. É vital para a Igreja. Mas se você está pensando que isso te exige demais, quero dar uma dimensão de compromisso e despojamento contando um pouco de uma família missionária que conheci há pouco, entre muitas, centenas ou milhares, que existem em todo o mundo.

Falo de uma família do estado de São Paulo que se dispôs a ser missionária em qualquer parte do planeta, através do movimento que participam. No início do ano veio o convite e a missão seria na Europa. Você pode estar pensando: Europa? Assim eu também iria! Mas calma, é missão, não turismo.

A família de nove pessoas, pai, mãe e sete filhos, vendeu a micro-empresa que possuía e o recurso foi destinado para a viagem e manutenção por um curto tempo, pois no destino era previsto um emprego ao pai da família, ainda que bem simples para prover o sustento básico. Foram enviados para a Hungria, sem falar nem uma palavra de Húngaro ou de Inglês, a convite de um bispo do país. O objetivo desta missão é viver como família cristã e formar pequenos grupos de estudo e vivência da palavra de Deus, ou seja, buscar a santidade e evangelização no dia a dia. É ser aquilo que nos diz o lema do ano do laicato e também recomendação do próprio Jesus recolhida por São Mateus: “Sal da Terra e Luz do Mundo” (Mt 5,13-14).

Ao chegarem lá, ficaram um tempo alojados em uma escola até que conseguissem alugar uma casa. A casa foi mobiliada com doações de pessoas do mesmo movimento naquele país. Devido às leis restritivas (a Hungria ainda tem traços do comunismo que viveu), eles não puderem começar a trabalhar de imediato, como previsto, nem mesmo na diocese, até que a documentação esteja resolvida, o que leva tempo e é burocrático. E até que o pai da família esteja legalmente empregado, não podem ter acesso ao sistema de saúde público. Sim, é isso mesmo, nem em caso de urgência! A mãe, que está grávida do oitavo filho, ainda não sabe como será o atendimento para o parto, mas sabe que Deus providenciará. Na escola, as crianças se adaptam lentamente devido à língua e se comunicam precariamente usando um tradutor no celular. Eles não conhecem brasileiros na região e esperam por outra família missionária do Brasil, que chegará no final do ano. Com a ajuda de um seminarista que fala Espanhol, recebem aulas de Húngaro (uma língua totalmente diferente, cujo alfabeto em 14 vogais e 27 consoantes).

Seguem firmes em meio a tanta austeridade. Se alimentam dos sacramentos, da palavra de Deus e do sentimento de que aceitaram um convite Dele.

Como esta, há outras famílias que se entregam inteiramente e aceitam ambientes precários e hostis em todo o mundo em favor do anúncio da Boa Nova. Nossa missão na catequese, na Pastoral Familiar, na equipe de liturgia, em um movimento ou seja onde for, não é menor que a dessa família. Todas são necessárias, mas às vezes somos missionários cheios de exigências e condições e nos deixamos abalar na caminhada por dificuldades tão pequenas!

Mas, ao conhecer testemunhos como esse, sinto que posso me comprometer um pouco mais com a minha missão em família. E você?

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22 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Cursa Comunicação Social/Jornalismo na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).