Você sabe por que os fiéis recebem a benção da garganta em dia de São Brás?

Fotografia: Lucas Silveira

Quando uma criança esta engasgada é comum ouvir as pessoas gritarem “São Brás”, invocando a proteção do santo para aquele momento. O motivo vem do fato dele ser aclamado protetor contra os males da garganta e, em vida, ter salvado a vida de um garoto, que estava para morrer, por ter engolido uma espinha de peixe. Festejado nesta sexta-feira, 03, milhares de fiéis procuram as igrejas na data para receber, das mãos do sacerdote, a benção da garganta.

Para explicar melhor sobre essa tradição e a vida deste santo, a Equipe da Pastoral Diocesana de Comunicação conversou com o Frater Hans Henrique da Silva Mendonça, religioso da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, que atua no trabalho Pastoral na Paróquia Sant’Ana, em de Lavras.

 

PASCOM DIOCESANA: Frater Hans, segundo a história, São Brás viveu em um tempo em que a Igreja foi duramente perseguida pelo Imperador do Oriente. Qual a importância de São Brás para a História do Cristianismo?

FRATER HANS: São Brás viveu num tempo em que a Igreja foi duramente perseguida pelo imperador do Oriente, Licínio, que era cunhado do imperador do Ocidente, Constantino. Por motivos políticos e por ódio, Licínio começou a perseguir os cristãos, porque sabia que Constantino era a favor do Cristianismo. O prefeito de Sebaste, terra natal de São Brás, dentro deste contexto e querendo agradar ao imperador, por saber da fama de santidade do bispo São Brás, enviou os soldados para o Monte Argeu, lugar que esse grande santo fez sua casa episcopal. Dali, ele governava a Igreja, embora não ficasse apenas naquele local.

São Brás foi preso e sofreu muitas chantagens para que renunciasse à fé. Mas por amor a Cristo e à Igreja, preferiu renunciar à própria vida. Em 316, foi degolado.

Diante deste contexto, aprendemos com São Brás de que quem encontrou o sentido da vida e a verdadeira alegria no amor de Deus é capaz de doar a própria vida, a exemplo do Cristo, pois tem plena confiança de que a vida vence a morte. Seu testemunho foi peça chave para o fortalecimento da fé e para que a Igreja fosse capaz de manter viva a chama da fé em Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

PASCOM DIOCESANA: São Brás ficou conhecido dentre outros fatores, por um milagre de intercessão em favor de uma criança engasgada com uma espinha de peixe. Ainda hoje a Igreja celebra a festa de São Brás no dia 03 de fevereiro. O Senhor poderia nos falar um pouco sobre a importância e o significado dessa data para os fiéis e para a Igreja atualmente?

FRATER HANS: Pois bem, rezar pedindo a intercessão de São Brás é uma atitude de saudável piedade e que precisa, bem como as demais devoções, ser compreendidas dentro de seu real significado. Quando pedimos a intercessão de um Santo, estamos pedindo para que ele, que está vivo e na presença de Deus, peça a Deus uma graça em nosso favor. Não é o santo que faz o milagre, ele é alguém que intercede, pede a Deus por nós. Tal qual pedimos que as pessoas rezem por nós aqui na terra, por que não pedir para aquelas que já estão na presença de Deus?

Conta a história que, ao se dirigir para o martírio, uma mãe apresentou-lhe uma criança de colo que estava morrendo engasgada por causa de uma espinha de peixe na garganta. Ele parou, olhou para o céu, orou e Nosso Senhor curou aquela criança.

Peçamos que São Brás interceda por nós junto a Deus, para que também sejamos preservados e, quando necessário, curados dos males que afligem a garganta e que causam tantos transtornos para a saúde. Precisamos também honrar a Deus, através do exemplo de São Brás, e usarmos de modo devido e correto os benefícios de uma garganta saudável. Deste modo, quando temos um problema de garganta uma das faculdades mais atingidas é a capacidade de falarmos. Assim, honrarmos nossa boa saúde da garganta é usarmos a faculdade de falar para o bem, para as bendições e não para jogar palavras ao vento.

 

PASCOM DIOCESANA: São Brás era médico, e ao que nos remete a história, era bom médico, mas, não satisfeito apenas em exercer a profissão buscou discernimento espiritual porque acreditava que as pessoas poderiam ser evangelizadas através de sua busca pela santidade. Como podemos seguir o exemplo de São Brás atualmente, em tempos de conflitos, guerras e falta de amor ao próximo?

FRATER HANS: Ao exercer a medicina, São Brás não procurava tratar apenas o corpo, mas através de seu testemunho levava as pessoas a conhecerem a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Esse é um grande exemplo que pode ser seguido por cada um de nós em nossas vidas. Por vezes, achamos que só se evangeliza no ambiente da Igreja ou em atividades organizadas pela Igreja. Quando na verdade, somos chamados a evangelizarmos com nosso testemunho de vida em todos os ambientes em que estamos inseridos, de modo especial, no ambiente de trabalho. Num mundo tão hostil como o que estamos vivendo, se cada um de nós procurasse evangelizar, isto é, ser um rosto do amor de Deus na vida das pessoas em todos os lugares em que estamos presentes, com certeza o mundo seria melhor e o Reino de Deus ganharia novos trabalhadores para a sua vinha. Não nos esqueçamos dos apelos do evangelho: “é preciso ser sal da terra e luz do mundo.”

 

PASCOM DIOCESANA: Àquela época, após a morte do bispo de Sebaste, sua terra natal, foi procurado pelo povo para ser pastor da Igreja; o que prontamente aceito por Brás. Pode-se considerar que esse foi um sinal de obediência a Deus, uma vez que ele vivia em constante renúncia e retiro espiritual.

FRATER HANS: São Brás tinha plena consciência de que quando se assume um cargo de liderança na Igreja não se faz para ser servido, mas para servir. Se para os olhos de muitas pessoas, exercer o ministério do episcopado era sinal de status e honra, para ele era uma missão exigente e que deveria ser assumida por amor a Deus. Também nós ao assumirmos cargos e missões na comunidade da Igreja deveríamos ter essa consciência. Devemos servir a Deus, servindo aos irmãos. E renunciar aos apelos de Deus, que por vezes se manifesta através da comunidade, não é sinal de humildade, mas de falta de comprometimento e resposta ao amor de Deus.

 

PASCOM DIOCESANA: Frater Hans, conhecendo um pouco a história e a vida de fé de São Brás podemos afirmar que ele exerceu importante papel no auxílio à construção do Cristianismo com relevante reflexos nos dias atuais?

FRATER HANS: Com certeza São Brás é um testemunho que nos encoraja a sermos cristãos melhores e mais conscientes no mundo. O modo como viveu, exerceu sua profissão e vocação devem servir de estimulo e motivação diárias para que sejamos uma Igreja mais solidária, aberta e temente a Deus. Que a exemplo deste mártir da Igreja, não tenhamos medo de professar e anunciar nosso amor a Deus e possamos nos manter firmes mesmo diante das perseguições e desafios da vida.

 

REPORTAGEM:Ana Marcia Vale (PASCOM Diocesana)

COLABORAÇÃO: Lisa Fávaro / Páscom Sant’Ana

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