6º Domingo do Tempo Comum

Foto: Canção Nova

Mt 5,17-37

“Todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo”

Neste domingo estamos a ler a continuação do sermão da montanha. No excerto do evangelho do 6º domingo do Tempo Comum vemos Jesus dizer que não veio abolir a lei, mas dar pleno cumprimento (cf. Mt 5,17). Ao dizer isso Cristo se desvincula daqueles que querem acusa-lo de inimigo da lei. Ao dizer isso Nosso Senhor está a dizer que a lei não estava sendo cumprida de maneira correta.

Os mestres da Lei e Fariseus entendiam o cumprimento da lei de forma radical, pela observação daquilo que estava escrito. Jesus vai além e propõe que a lei seja interiorizada, ou seja, a adesão à Lei vem do coração. Viver a Lei, nessa nova perspectiva, é uma exigência básica para entrar no Reino que Jesus oferece.

Na interpretação de Jesus não é necessário matar alguém para infringir o 5º mandamento. Cristo afirma que é necessário evitar todo tipo de dano ao próximo, seja por palavras ou atos.

No que se refere ao mandamento que proíbe o adultério é importante destacar que  a Lei mosaica exigia o não cometer adultério (cf. Ex 20,14; Dt 5,18); mas, na perspectiva de Jesus, é preciso ir mais além do que a letra da Lei e atacar a raiz do problema, ou seja, o próprio coração do homem. Pois o pecado não consiste somente na consumação do ato, mas também nos pensamentos e desejos, mesmo que não levem a nenhuma ação concreta, já constituem transgressão do mandamento.

Uma questão importante sobre é que a Lei permitia o divórcio em alguns casos (cf. Dt 24,1), mas era sempre favorável ao homem. Para manter a sacralidade do matrimônio, Jesus não reduz a culpabilidade da mulher, mas declara o homem igualmente culpável. Assim, ele promove e eleva a dignidade da mulher, tirando-a de uma condição de inferioridade em relação ao homem.

No que diz respeito à legislação sobre os juramentos Jesus também tem uma posição, mas antes de adentrar nesse assunto, faz-se mister recordar que, diferentemente do que ocorre na cultura moderna, as sociedades onde prevalecia a cultura oral, como a de Israel, os juramentos tinham grande importância. Jesus descarta completamente a necessidade de juramentos, pois essa prática dá margem à existência de relações mais sinceras do que outras. Na comunidade do Reino, todas as relações devem ser sinceras e transparentes.

Nesta perícope do evangelho Jesus propõe uma nova maneira de entender o Reino de Deus. Para aderir ao Reino não é necessário praticar a justiça dos fariseus. É necessário viver uma justiça superior baseada em uma correta interpretação da Lei, não lida de maneira literal, mas compreendida a partir do ser humano.