Domingo de Ramos: que tipo de planta levar para a procissão?

O Domingo de Ramos vai ser celebrado neste domingo dia 24 de março e marca o início da Semana Santa. Nesta data, os católicos vão à igreja com ramos de árvores para relembrar a entrada de Jesus Cristo na cidade de Jerusalém. Mas você sabe quais plantas podem ser usadas no momento religioso? Afinal, não é necessário usar folhas de palmeira na procissão, também podem utilizar outros tipos de plantas locais, como oliveiras, salgueiros, abetos ou até mesmo medicinais.

De acordo com o Diretório sobre a Piedade Popular e a Liturgia, “os fiéis gostam de conservar em suas casas, e às vezes no local de trabalho, os ramos de oliveira ou de outras árvores, que foram abençoados e levados na procissão”. O aracajuano, Hitamar Andrade por exemplo, tem o costume de guardar seu ramo na parede de casa para se recordar a Paixão de Cristo. “Coloco junto com um quadro de Nosso Senhor onde fica durante todo o ano. É uma forma de recordar o seu martírio e sua entrada triunfal de Jesus”, explica.

Simplicidade esta herdada por Vanda Abreu que, seguindo o exemplo da mãe, Dona Alzira Abreu, recolhe os ramos e os distribui em todo o bairro de Matosinhos. De casa em casa, a manicure preserva a tradição familiar e recorda, com alegria, os feitos deixados pela mãe, falecida há 10 anos. “Aprendi com ela. Via ela acordar cedo, colher os ramos e sair distribuindo pela vizinhança. Depois, juntava os mais bonitos e levava para o Bom Jesus, para enfeitar a Igreja. Hoje, sou eu que faço isso. E faço com orgulho e alegria. É muito gratificante”.

Já Maria Mercedes Soares sempre leva galinhos de manjericão. “Levo o manjericão para fazer chá e uma palma. Espero ela secar, queimo e distribuo as cinzas em minha casa. Falam que acalma a tempestade e protege a casa de raios e trovões”.

Esse costume de levar plantas medicinais para a procissão é muito bom, como afirma o Bispo Emérito de São João del-Rei, Dom Waldemar Chaves de Araújo. “É a união do costume popular com a devoção presente na Semana Santa. É também uma forma de agradecer a Deus as coisas boas da natureza”.

Segundo o Médico Antroposófico, Paulo Maurício, essa tradição é uma bela forma de reforçar a relação entre o homem e a a natureza. “Culturalmente, pela tradição cristã, as pessoas resgatam essa relação e isso eleva o espírito, ainda mais neste período do ano. É muito comum as pessoas fazerem uso das plantas medicinais e de tê-las como instrumento de fé, principalmente as plantas labiatas, que tem odor e óleos voláteis, que são considerados óleos espirituais”.

Paulo Maurício cita um exemplo muito comum na Semana Santa da região, a arnica. Utilizada, principalmente, na decoração do esquife do Senhor Morto, na Sexta-feira Santa. “A gente ter nossa arnica mineira que as pessoas colocam no álcool e, de fato, diminuem a dor. Isso faz com que a pessoa não faça uso de analgésicos e anti inflamatórios. Também tem a marcela, planta que é utilizado para queixas abdominais, e podem ser utilizadas por via oral ou compressas em casos de mal estar ou digestivos. Enfim, são plantas muito importantes”, explica.