Fiéis rezam o Setenário das Dores em casa e reforçam a fé junto da família

A pandemia do novo coronavírus fez com que uma mudança de hábitos fosse imposta ao povo brasileiro. Em nome da preservação da saúde, do cuidado com o dom da vida, a orientação das autoridades de Saúde acolhidas pela Igreja é que sejam evitadas as aglomerações e mantido o isolamento social. Essas medidas impactaram diretamente a programação do Setenário das Dores e da Semana Santa que buscaram nos meios de comunicação uma forma criativa para manter viva a prática de fé e devoção.

Em casa, os fiéis puderam acompanhar as transmissões de missas e setenários e, junto da família, fazer suas orações e preces. “É bom ver que a Igreja ultrapassa os limites das paredes dos templos. Estamos aprendendo a ser uma igreja doméstica. Embora sinta falta de poder participar de forma presencial, vejo essa oportunidade de rezar e meditar em casa, como uma forma de consolo, nesses tempos difíceis que estamos vivendo”, explica Erick Freitas.

Com o altar arrumado, Tiago e Nathália fizeram da casa um grande lugar de oração, aproveitando do isolamento social para uma reflexão mais profunda e pessoal. “Eu e minha esposa já temos a prática de reservar um horário para nossa oração e meditação diária. Diante desse quadro de isolamento e prevenção, intensificamos mais nossas orações. Não só pedindo o fim dessa pandemia, mas a proteção aos nossos familiares, amigos e toda população mundial. As dores de Maria Santíssima servem de roteiro para essa reflexão e um diálogo entre nós, relacionando aos dias de hoje, em que várias mães e filhos também passam por dores. Com isso, diante do nosso oratório, vamos vivenciando essa prática e intensificando a nossa fé”.

Devoto de Nossa Senhora das Dores, o escultor sacro, Fernando Pedersini, reforça a necessidade de manter viva a tradição. “A tradição não precisa ser dentro de um templo. É o costume de um povo e nós somos esse povo e não podemos deixar morrer. É colocar os joelhos no chão e pedir a proteção de Deus e intercessão de Nossa Senhora”.

Direto da Residência Episcopal, Dom José Eudes Nascimento presidiu as celebrações da Santa Missa. Centenas de fiéis participaram diariamente da transmissão, fazendo pedidos de orações e preces. Assim como o bispo, paróquias da região fizeram lives e vídeo transmissões. Emissoras de TV e rádios locais foram outras ferramentas utilizadas para a evangelização.

Uma louvável iniciativa, mas que termine logo. “É rezar para que cuidemos uns dos outros e pelos outros, para que, quando essa tempestade passar, possamos recorrer em nossas igrejas pelo seu carinho maternal. A mãe espera pelos seus filhos”, reforça o estudante Maycon Ribeiro.

25 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).