Paróquia de Ritápolis busca recuperar imagens sacras furtadas há 22 anos

Imagens de São Sebastião e São Manuel foram furtadas há 22 anos em Ritápolis e até hoje não foram resgatadas (foto: Santuário Diocesano Santa Rita de Cássia/Divulgação)

Após 22 anos, o Santuário de Santa Rita de Cássia, da cidade de Ritápolis, juntamente com o Ministério Público, busca resgatar as imagens de São Sebastião e São Manuel, furtadas em março de 1998. As obras sacras, do século XVIII e fazem parte do acervo da comunidade.

Segundo o pároco, padre Adriano Tércio Melo de Oliveira, o processo já foi iniciado. “Estamos aguardando os próximos passos do processo que corre na Justiça para localização, identificação e apreensão das imagens para que elas voltem ao local de origem. As peças representam uma parte importante e considerável da cultura, religiosidade e tradição do povo ritapolitano”.

Dentre as obras está a imagem de São Sebastião, provavelmente pertenceu a capela onde Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes) foi batizado. “Ele tem uma representatividade cultural pra nação brasileira, pois torna-se um marco histórico ligado à figura de Tiradentes. Um valor histórico, cultural e religioso de muita relevância que foi roubado”, explica o sacerdote.

Nesta quarta-feira, 21, o Estado de Minas publicou uma reportagem sobre o caso e o processo de investigação. Nela, o jornalista o Gustavo Werneck fala de uma “cruzada movida pela devoção popular, em defesa do patrimônio cultural e com pedido de justiça”.

A publicação reforça que as imagens foram encontradas em Campinas (SP), mas não voltaram ao altar. Em resposta, o MPMG disse ao veículo que já foi ajuizado “a ação para investigação do caso, requisitando às delegacias de Ritápolis e de Campinas os inquéritos da época sobre o furto do acervo e a operação de apreensão na cidade paulista”.

Conforme o último levantamento do Ministério Público de Minas Gerais, por meio da Coordenadoria das Promotorias de Justiça do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais (CPPC), que tem como titular a promotora de Justiça Giselle Ribeiro de Oliveira, há, do patrimônio mineiro, 742 peças desaparecidas e 539 judicializadas. Em 17 anos da campanha, foram apreendidas 419, incluindo imagens, castiçais, sinos, partes de altares e outros bens.

Na Diocese de São João del-Rei houve casos recentes de resgate de imagens que foram furtadas ou vendidas de forma ilegal como a imagem de Nossa Senhora do Rosário, em Prados, e a portada da antiga igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos que hoje integra o acervo do Museu de Arte Sacra da cidade.

Para denunciar

Quem tiver informações sobre peças desaparecidas e quiser fazer denúncias pode acionar: Ministério Público de Minas Gerais através do e-mail: [email protected], ou via telefone (31) 3250-4620. Pode também enviar correspondência para Rua Timbiras, 2.941 – Bairro Barro Preto, Belo Horizonte – MG, CEP 30140-062. Também está disponível o bloghttps://patrimoniocultural.blog.br/.

Para obter ou dar informações, basta acessar o site www.iphan.gov.br e verificar o banco de dados de peças desaparecidas. Denúncias anônimas podem ser feitas pelos telefones (61) 2024-6342, 2024-6355 e 2024-6370, do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização (Depam) e pelo e-mail [email protected] ou pelo site www.iepha.mg.gov.br.

Informações: Estado de Minas

25 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).