Resquiescant in pace! Amen

O mistério da morte – grande drama da existência humana! – só se pode ser entendido à luz da fé, só pode ser celebrado diante do mistério pascal de Cristo, só pode ser enfrentado com a certeza vitoriosa da vida eterna. De outra sorte, morrer seria a mais cabal derrota do ser humano. Mas os que morrem no Senhor são bem-aventurados e suas obras narrarão eternamente suas vidas. Essas palavras de esperança preludiam uma triste crônica: o falecimento prematuro do Pe. Fábio José Damasceno, fato ocorrido na madrugada do dia 09 de dezembro de 2020, na cidade de Prados.

Padre Fábio José Damasceno nasceu no primeiro dia de junho de 1964, em São João del-Rei, mas desde o nascimento residiu em Conceição da Barra de Minas. Filho de José Gonçalves Damasceno – conhecido como Zé Boiadeiro – e Maria da Conceição Silva Damasceno era o primogênito de seis filhos. Fez seus estudos iniciais em sua terra natal e o ensino médio no Seminário Arquidiocesano Santo Antônio, em Juiz de Fora, onde também cursou Filosofia e Teologia. Foi ordenado diácono aos 20 de março de 1988 e presbítero aos 15 de outubro do mesmo ano, sendo ordenante o bispo diocesano da época, Dom Antônio Carlos Mesquita.

No dia 01 de janeiro de 1990 recebeu o ofício de pároco da Paróquia de Santana do Barroso, onde exerceu um longo e fecundo ministério. Nesta paróquia Pe. Fábio se destacou pelo dinamismo pastoral, pelo empenho nas questões sociais e pela zelosa administração dos bens temporais. Com seu carisma conquistou o povo barrosense, se tornando uma grande referência religiosa para o lugar. Após um paroquiato de quase três décadas Pe. Fabio deixou a Paróquia de Santana para assumir a Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré, onde, anualmente, a devoção a Virgem Maria com essa invocação atrai uma multidão de romeiros para a celebração do jubileu. A posse canônica se efetuou no dia 06 de julho de 2019, no Santuário Diocesano de Nossa Senhora de Nazaré, por ato do Bispo Diocesano, Dom José Eudes Campos do Nascimento.

No pequeno período de paroquiato nesta comunidade Pe. Fabio cativou com simpatia o povo, realizou por duas vezes o jubileu – uma no contexto da pandemia do coronavírus – visitou comunidades e se empenhou em obras na paróquia. Além dos serviços paroquiais Pe. Fábio atuou como assessor da Pastoral da Família e da Juventude, foi Vigário Forâneo da Forania de Prados e membro de vários órgãos colegiados da Diocese (Colégio de Consultores, Conselho Presbiteral, Conselho de Economia).

Essa vida terrena tão cheia de dons chegou a seu termo repentinamente, causando comoção e consternação a todos. Os fatos que antecederam esse dia tristes são muitos significativos. No dia 07 de dezembro Pe. Fábio celebrou a Santa Missa na Paróquia de São José Operário, em São João del-Rei, no contexto do tríduo da Imaculada Conceição e das comemorações dos 150 anos da proclamação de São José como padroeiro da Santa Igreja.

O saudoso sacerdote era muito devoto de São José e expressou esse imenso carinho em sua pregação daquele dia. No dia seguinte, Solenidade da Imaculada Conceição, Pe. Fábio – que nasceu sob os auspícios dessa invocação mariana – participou com entusiasmo das festividades na Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, em Prados. Lá manifestou sua devoção e gratidão a Nossa Senhora e, na Missa Solene, cantou pela última vez o Santo Evangelho, função que sempre foi marcante e comovente na voz do Pe. Fábio. Ainda em Prados se confraternizou com seus amigos padres, alguns muito ligados à sua história, celebrando a vida e alegria, com seu modo espontâneo de ser.

Após viver intensamente esse convívio fraterno, ao se preparar para o repouso noturno, Pe. Fábio repousou nos braços de Deus e passou ao convívio da eternidade. Faleceu repentina e silenciosamente, vitimado por um infarto agudo do miocárdio, segundo afirmaram as autoridades médicas da Santa Casa de Prados. Susto, tristeza e comoção tomaram de assalto o Pe. Rondineli – amigo e último anfitrião – por ser o primeiro a tomar conhecimento desse infausto acontecimento e comunicá-lo aos demais.

Tão logo soube da notícia Dom José deu ciência ao clero e aos familiares, convocando o povo de Deus à oração. Com todos os preparativos em ordem, iniciou-se o velório. O corpo do Pe. Fábio foi, primeiramente, recebido em Barroso, lugar onde ele exerceu por mais tempo o seu sacerdócio. A recepção do féretro se deu à entrada da cidade, sendo recebido pelos sacerdotes, autoridades e fiéis. Em seguida foi conduzido, com escolta policial, até a Igreja Matriz de Santana, em cujos arredores os fiéis aguardavam emocionados.

A acolhida do saudoso pároco foi marcada por aplausos, cânticos e lágrimas e, na Matriz, o corpo foi introduzido para as últimas homenagens dos barrosenses. Ao final da tarde o Senhor Bispo oficiou a Missa em sufrágio da alma do Pe. Fábio. Ao final foi lida uma mensagem enviada pelo Pe. Dirceu de Oliveira Medeiros, Sub-secretário geral da CNBB e grande amigo do falecido sacerdote. Em seguida, o corpo do Pe. Fábio foi recebido pela Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré, onde atualmente ele era pároco.

O velório foi marcado pela emoção e tristeza daqueles que perderam seu pastor e pai tão prematuramente. Dom José Eudes presidiu, uma vez mais, a Santa Missa e a homilia foi proferida pelo Pe. Geraldo Magela da Silva, Vigário Geral da Diocese e Pároco da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar. Os paroquianos de Nazareno assim se despediram de seu pároco, chorosos e saudosos de presença tão rápida, porém marcante.

A última estação do velório teve lugar na terra natal do extinto sacerdote: Conceição da Barra de Minas. No Santuário de Nossa Senhora da Conceição, igreja na qual Pe. Fábio foi batizado, recebeu pela primeira vez a Santa Eucaristia e onde foi ordenado sacerdote seu corpo foi depositado para receber as últimas homenagens de seus familiares e conterrâneos. O velório se estendeu por toda a noite.

Na manhã do dia 10 de dezembro de 2020 o Senhor Bispo Diocesano, Dom José Eudes, presidiu a Santa Missa e procedeu as celebrações exequiais de encomendação. Foi expressiva a presença do clero, seminaristas, autoridades e visitantes. Em tributo de reconhecimento a Prefeitura local decretou luto oficial de três dias em todo o município. Da Igreja Matriz o cortejo conduziu o corpo do Pe. Fábio ao cemitério, se fazendo presente a Corporação Musical Nossa Senhora da Conceição, sob a regência do Maestro Vagner de Souza, executando marchas fúnebres durante o trajeto. Inúmeras coras de flores foram conduzidas pelos circunstantes e o povo acompanhou tudo com silêncio e oração. Por fim o Senhor Bispo abençoou a sepultura e o corpo do já saudoso do Pe. Fábio foi devolvido à terra, qual semente plantada no silêncio do chão.

Além da grande presença dos fiéis é digno de se notar a grande presença do clero em todas as paróquias onde se realizou o velório. Expressão de fraternidade sacerdotal e de solidariedade cristã! Também se fizeram presentes os seminaristas da nossa Diocese e muitas autoridades. Outra menção honrosa se deve fazer à presença e solicitude do Senhor Bispo, Dom José Eudes, se preocupando com cada detalhe e se mostrando integralmente em todas as situações. A comoção de Dom José Eudes demonstrou um carinho paternal que a todos edificou. O próprio prelado confidenciou a todos que foi a primeira experiência dele como bispo a de proceder a despedida de um padre de seu clero. Tal postura do pastor diocesano afaga o coração sentido dos fiéis entristecidos pela morte de um padre.

O testamento dos que morrem no Senhor não é escrito com letras, mas com obras. As obras do Pe. Fábio escreverão seu legado. Obras de misericórdia, de apostolado, de vida espiritual e pastoral. Também as obras sociais, materiais, construções dentre outras. Também as obras da alegria, do canto, da amizade, da espontaneidade. Os que morrem no Senhor são bem-aventurados e sempre serão lembrados com carinho e devoção, pois suas boas obras os acompanharão sempre. Que Pe. Fábio repouse na paz de Deus, que é Ressurreição e Vida.

Resquiescant in pace! Amen