São João del-Rei mantém tradições peculiares nas sextas-feiras da quaresma

Foto: Marcos Luan

Durante o período da Quaresma, o silêncio das ruas históricas de São João del-Rei é rompido por cânticos entoados em latim e muitas orações. Há mais de dois séculos o Cortejo de Encomendação de Almas é realizado durante a madrugada, percorrendo sete igrejas e cemitérios da cidade. Uma tradição de fé mantida em poucas cidades no Brasil.

O percurso é realizado nas sextas-feiras da quaresma, aglomerando-se nos portões dos cemitérios do centro histórico. A batida na madeira da matraca simboliza a cruz e anuncia o início das orações. Quem conduz os cristãos não é um padre, mas um leigo mais velho que puxa o terço durante todo o trajeto e, nas sete paradas de cada Encomendação, faz orações – ora em latim, ora em português – como a chamar as almas e entregar-lhes cantos, lembranças, lamentos e orações.

Foto: Marcos Luan

As Via Sacras

Outra tradição peculiar é a Via Sacra Pública com orações nos “passinhos”, uma espécie de  oratório espalhado na cidade. O rito, que faz parte das Comemorações dos Passos, é realizado nas coites de sexta-feira, durante a quaresma e relembra o Calvário de Cristo e seus últimos passos rumo ao Calvário. A celebração é conduzida por música do século XIX no centro histórico.

Durante a caminhada dos fiéis é possível acompanhar os “Motetos dos Passos”, de autoria do Maestro Martiniano Ribeiro Bastos, assim como o “Misere”, da autoria de Manoel Dias de Oliveira, executado ao final da Via Sacra. “Os Motetos dos Passos são composições aqui mesmo de São João del-Rei. Eles versam sobre o tema específico de cada Passinho e são parte da identidade e da peculiaridade da cidade”, explica Padre Geraldo Magela, pároco da Catedral do Pilar.

Segundo sacerdote a Via Sacra é uma demonstração de fé em que ajuda os cristãos a relembrarem o Calvário de Cristo. “É tão interessante, na Via Sacra, que três personagens aparecem para ajudar: Maria, que no encontro com Jesus o fortalece na caminhada; Verônica, que enxuga o rosto Dele; e Simão Cirineu que o ajuda a carregar a cruz. Ao contemplar a Paixão de Cristo na paixão de tantos irmãos, nós queremos ser uma presença solidária na vida deles, ajudando a carregar a cruz”, conclui.

São 14 estações que lembram estes momentos dramáticos, desde o tribunal presidido por Pôncio Pilatos até o Monte Calvário, lugar da crucifixão.

25 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).