Tiradentes terá programação especial nesta quinta-feira, 14, na Capela do Bom Jesus da Pobreza

A Capela do Bom Jesus da Pobreza, ou Bom Jesus Agonizante, marca o Largo das Forras, na histórica cidade de Tiradentes. Com aparência modesta em relação ao conjunto arquitetônico da cidade, o pequeno templo foi construída no período entre 1771 e 1786. Nesta quinta-feira, 14, dia que a Igreja celebra a Exaltação da Santa Cruz, vai haver Adoração ao Santíssimo Sacramento à partir das 18h30, seguida de missa na Matriz de Santo Antônio e procissão até a Capela. A celebração vai ser abrilhantada pela Sociedade Orquestra e Banda Rabalho.

A igreja tem estilo barroco-rococó, e o interior é marcado pela imagem de um Jesus Cristo agonizante em meio a um altar de madeira com pinturas florais coloridas. A documentação sobre esta Capela é muito escassa, o que torna impossível compor a história do monumento. Sabe-se que foi construída, certamente em pagamento a uma promessa, pelo Capitão-mor Gonçalo Joaquim de Barros, que, em 1801, encaminha à Coroa Portuguesa uma petição para provisionar a construção do templo, embora sua construção seja muito mais antiga. Presume-se que a capela tenha sido construída em 1771, conforme a data que até bem poucos anos achava-se pintada no frontão. Outra data, 1940, inscrita na fachada, indica a realização de ampla reforma. O certo é que, conforme se infere do livro de Receita e Despesa da Irmandade do Santíssimo, a construção do pequeno templo terminou em 1786.

A capela tem dimensões modestas e linhas simples, com um corpo principal e uma extensão à direita para sacristia com telhado em uma água, que serve de campanário com dois sinos pequenos. A porta tem arco abatido e provém da demolição de um solar antigamente existente no Largo das Forras. No nível superior se abrem duas janelas com balaustradas e arcos abatidos, com um óculo redondo e cego entre elas, onde antigamente existia uma pintura representando os cravos que pregaram Jesus. Uma cimeira coberta de telhas separa o frontão em estilo Joanino simplificado, com um óculo redondo ao centro, volutas apenas esboçadas nas laterais e uma cruz no topo. Dois pináculos se assentam nas extremidades do frontão, alinhados às pilastras.

Sua decoração é da mesma forma singela. A pintura do retábulo, em motivos florais, como também das paredes da nave, do frontal do altar e cimalhas, foi contratada com o pintor Francisco Cezário Coelho, caracterizando-se pelo nítido gosto popular. Também se colocou um painel representando o Pai Eterno no forro, de autoria desconhecida. Há duas pias de água-benta em pedra-sabão e Dois nichos menores se abrem nas laterais. O coro tem um gradil torneado simples, e completa a decoração um painel representando o Pai Eterno no forro, de autoria desconhecida. Merecem nota ainda as imagens de Nossa Senhora do Patrocínio, Santa Rita, Nossa Senhora da Conceição, e principalmente a importante estátua do Crucificado que está entronizada no retábulo, todas do século XVII. A imagem do Bom Jesus Agonizante possui incrustações semelhantes a rubis* em forma de gotículas de sangue. Há ainda uma interessante imagem de barro de São Geraldo feita por uma artista local no início do século. A Capela possui ainda alguns ex-votos, hoje recolhidos à Matriz.

Na década de 50, o IPHAN empreendeu ampla restauração na capela, que incluiu a substituição do guarda-corpo de cimento das janelas do coro por balaústres de madeira torneada, das telhas marselhesas da cimalha por telhas canal, reconstrução da soleira da porta principal e caiação de branco das paredes internas, encobrindo a decoração floral. Em época mais recente foram feitas outras intervenções no telhado, escada do coro e reforço das taipas das paredes.

Em 2016, O pintor carioca Mário Mendonça entregou, em missa solene em Tiradentes, um conjunto de telas de sua autoria, que representam a via sacra e a ressurreição de Jesus Cristo. Os quadros compõem, agora, o acervo da Capela.

Informações: villaalferes.com.br