Uma Lição de Páscoa

É evidente que as celebrações da Semana Santa nos conduzem a uma realidade certa e fecunda: Jesus Cristo, Deus feito homem, morreu em sacrifício e alcançou-nos vida por sua ressurreição dentre os mortos. Isso quer mostrar a natureza própria da Igreja, que tem nas bases de sua evangelização a luz da ressurreição de Cristo, luz que toca a nossa materialidade decaída pelo pecado. Nós somos restaurados por essa graça e passamos a participar da vida nova que foi conquistada para nós através do sangue redentor.

De tal modo, o Evangelho nos relata que bem cedo foram as mulheres ao túmulo para ver Jesus. Esperavam encontrá-lo morto, no sepulcro, pois levavam os aromas que tinham preparado. “Por que procurais entre os mortos aquele que vive?” (Lc 24,5), essa interpelação dos dois anjos fazem as mulheres acordar como de um esquecimento das palavras que Jesus as tinha ensinado sobre o Reino de Deus. Posteriormente, o próprio Cristo, junto à comunidade reunida, relembra que era preciso que se cumprisse tudo que estava escrito sobre Ele nas Escrituras. Ele deveria sofrer e ressuscitar dos mortos ao terceiro dia, de modo que ensina Dom Bosco: “os espinhos da vida serão as flores da eternidade”.

Torna-se curioso que tudo isso tenha se dado logo pela manhã, bem cedo, ao nascer do sol. O tempo e a Palavra se abraçam em um único sentido para mostrar a cada um dos que creem que o nascer desse novo dia é o Cristo que vence a morte. O primeiro dia da semana, o Domingo, é o dia em que o Senhor faz brilhar a luz de sua glória e completa a obra de sua salvação: a Nova e Eterna Aliança está selada com o ser humano. Logo pelo amanhecer, as trevas da dúvida e da incerteza nos caminhos da vida tornam-se alegria para aquelas mulheres que foram à sepultura de Jesus. A mensagem da ressurreição ganha impulso, é logo anunciada, pois essa alegria não poderá nunca mais ser guardada. Quem testemunha o Cristo Ressuscitado deseja ardentemente que os outros também façam essa descoberta.

O certo é que após os eventos tenebrosos e sombrios da cruz e após o silêncio do vazio presente no coração dos discípulos, Jesus ressurge como novo dia que nasce. Como afirma o salmista: “de tarde vem o pranto, de manhã gritos de alegria”. Pelos caminhos da vida há trevas e há dificuldades que anuviam os raios da graça de Deus. Muitas vezes, é mesmo o pecado que procuramos cometer que nos afastam da gratuidade santificante do Espírito e ficamos à porta do sepulcro, deixando o medo tomar conta do coração. Também as dificuldades, a doença, o torpor tentam barrar essa visualização da benevolência de Deus. Mas a Páscoa é este ressurgir de uma vida velha e fechada em si mesma para uma vida nova, configurada ao Cristo, Senhor da Vida. É o primeiro raio de sol que anuncia que a quem procuramos não está entre os mortos, mas vive. Viver a Páscoa é deixar Jesus ressuscitar em nosso coração, deixar que Ele transforme a nossa existência. Viver a Páscoa é abrir-se a essa luz da manhã que dissipa as trevas do pecado e apaga em nós os sinais de morte.

Assim se ouvia na canção o que podemos meditar à luz da fé: “Amanhecer é uma lição do Universo que nos ensina que é preciso renascer. O novo amanhece.”