11º Domingo do Tempo Comum

Mt 9,36-10,8

”A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos”

O excerto do evangelho deste domingo é retirado de Mt 9,36-10,8 e narra a missão dos discípulos.Esta missão conferida por Jesus mostra a solicitude de Deus para com o povo, pois Deus está a oferecer salvação.

No Versículo 36 vemos Jesus dizer que as multidões eram “como ovelhas que não têm pastor”, isso significa que a comunidade estava abatida e desnorteada. Está assim, pois os pastores (os líderes religiosos judeus) se eximiram das suas responsabilidades. Eles são os maus pastores de que falavam os profetas do Antigo Testamento.

Em Mt 10,1-4 vemos a iniciativa de Jesus de chamar os apóstolos para a missão. Note que Jesus chama os doze; esse número doze é número simbólico, que lembra as doze tribos que formavam o antigo Povo de Deus. Estes “doze” discípulos representam simbolicamente a totalidade do Povo de Deus, do novo Povo de Deus.

Adiante, Jesus define a missão dos enviados. Eles têm poder de expulsar os espíritos impuros e de curar todas as doenças e enfermidades. A missão dos apóstolos é, pois, lutar contra tudo aquilo que destrói a vida e a felicidade do ser humano, seja ela de caráter físico ou espiritual.

Uma questão importante diz respeito às recomendações do Senhor: “Não deveis ir aonde moram os pagãos, nem entrar nas cidades dos samaritanos! 6Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar.”

Jesus determina que a ação deve ficar restrita a Israel. Esta interpretação “restritiva” da missão explica-se a partir da forma como o cristianismo se expandiu em termos geográficos: primeiro pela Palestina e só depois fora das fronteiras da Palestina; Mateus vai deixar claro que, em um segundo momento, o anúncio se destina, também aos pagãos. Porquê? Porque a “casa de Israel” rejeitou Jesus e a sua proposta do “Reino” (cf. Mt 21,43).

Jesus fala dos sinais que serão realizados: a cura dos doentes, a ressurreição dos mortos, a expulsão dos demónios. O anúncio não deve ser feito apenas com palavras, mas de gestos concretos que sejam sinal vivo dessa salvação que o “Reino” traz.

E na última parte de nossa perícope Jesus falado caráter gratuito da missão. Os discípulos não podem partir para a missão a pensar em colher dividendos pessoais, ou em satisfazer interesses egoístas.

Em síntese podemos dizer que o anúncio, que é confiado aos apóstolos, é o anúncio que Jesus fazia (o Reino de Deus); os sinais que os enviados são convidados a fazer para anunciar o Reino são os mesmos que Jesus fez; os destinatários da mensagem que Jesus apresentou são os mesmos da mensagem que os discípulos apresentam.

Ao apresentar a missão dos discípulos em paralelo e em absoluta continuidade com a missão de Jesus, Mateus mostra que a Igreja continua na história a obra Salvadora do seu fundador.