16º Domingo do Tempo Comum

Mc 6,30-34

“Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco”

Havia tanta gente que eles não tinham tempo nem para comer. Jesus demonstra um carinho como de mãe diante dos discípulos. ”Vamos andando e repousai um pouco”. O olhar de Jesus percebe o cansaço, a fadiga deles. Reflitamos sobre o cansaço e a solução que Jesus apresenta. Qual é o verdadeiro cansaço? Será o cansaço físico?

Muitos médicos que diante do esgotamento nervoso,das dificuldades de todo tipo,aconselham a se cansar fisicamente: fazer caminhada,praticar esporte,frequentar academia,aulas de dança,etc. mas isso cansa fisicamente. Mas a fadiga verdadeira é a mental, a interior, psicológica, o cansaço da alma. Porque? Porque é nele que nos desgastamos…e somos desgastados pela insegurança.O que nos desgasta é a insegurança. E nossa insegurança vem à tona, parece-me, por 02 coisas: pelo perigo e pelo sufoco, pela opressão.

1. Pelo perigo. Se dirijimos um carro a 60/80 kms. Obedecendo a sinalização da estrada não nos cansamos; mas se dirijimos a150 nos cansamos, aumenta-se o risco,o perigo, aumenta-se a tensão e ficamos inseguros, nos desgastamos… e devemos então repousar após a viagem.

2. Pela opressão, pelo sufoco. Se você trabalha num local onde todos estão de acordo, onde há harmo-nia entre todos, não se cansa além do normal. Porém se estamos num ambiente onde as pessoas fazem guerra entre si de manhã até a noite, isso desgasta, é opressor, sufocante e assim nos cansamos demais. Então o verdadeiro cansaço é interior e vem da insegurança ativada pelo perigo e pela opressão, pelo sufoco diante de situações insuportáveis.

Jesus se dá conta de que todos os discípulos estão cansados e lhes diz: vinde para um lugar deserto, solitário e repousai um pouco. Algumas traduções dizem: eles se reuniram em volta de Jesus, mas o texto grego diz que eles se reuniram diante de Jesus, em frente. Ora reunirem-se face a face com Jesus revela-nos o sentido pleno da oração: estar face a face diante de Deus.

Encontramos o verdadeiro repouso na oração, pois a única realidade que pode nos tornar seguros é Deus. Não tocamos Deus, não O vemos, mas é a única coisa segura.Não uma oração de fórmulas decoradas, mas oração quando o coração reza… Deus se torna o nosso repouso, nosso mar, nossa montanha, Deus se torna o nosso céu,a nossa casa, as nossas férias.

Quando brota de nosso coração a verdadeira oração nós encontraremos em Deus o verdadeiro repouso, a verdadeira paz, o pleno descanso. Desembarcando, Jesus viu a multidão e teve compaixão dela. Ficou num dilema entre o cansaço dos amigos e a fraqueza da multidão. Partiu com um programa importante (descansar com os discípulos)e agora tem que alterá-lo.

Tendo partido para estar a sós e repousar, os 12 aprendem com Jesus a estar à disposição das pessoas sempre, aprendem a não pertencerem a si mesmos. A 1ª coisa que aprenderam de Jesus foi:comoverem-se. O tesouro que levarão das margens do lago, é a recordação do olhar de Jesus que se comove.Jesus,ao sair da barca viu a multidão,seu olhar se direcionou ,como sempre,sobre a pobreza das pessoas e não sobre suas ações ou sobre seus pecados.

Para Jesus a pessoa está em primeiro lugar, não os resultados obtidos, mas a harmonia, a saúde profunda do coração. A Jesus interessa o que somos. Pede aos discípulos só um pouco de tempo para a multidão, um tempo para viver. É um gesto de amor, de alguém que lhes quer bem e os quer felizes:”repousai”.

Jesus ensina uma estratégia: fazer as coisas como se tudo dependesse de nós,com empenho e dedicação;e fazê-las como se tudo dependesse de Deus. Fazer tudo aquilo que está em nós, e deixar Deus fazer tudo. Estar com Jesus para aprender com Ele como é o coração de Deus e retornar depois à multidão. Fixemos esta palavra: COMPAIXÃO.

Jesus muda sua programação, mas não a de seus amigos. Renuncia ao seu repouso, mas não o deles. E oferece às pessoas em 1º lugar a compaixão, o sentir dor pela dor dos outros. É o motor do coração que move as mãos a fazer. Jesus nos oferece outro ensinamento: “como olhar” antes mesmo de como falar;um olhar que tenha compaixão e ternura…as palavras e os gestos acontecerão depois.

Quando aprendemos o sentimento divino da compaixão, o mundo se enxerta na nossa alma. Jesus sabe que não é a dor que anula em nós a esperança, não é o morrer, mas é o ficar sem o conforto das pessoas. Como cristãos não privemos o mundo da nossa compaixão, conscientes de que “o que podemos fazer é só uma gota no oceano,mas é esta gota que pode dar significado a toda nossa vida“ (Teresa di Calcutá).

A esperança se constrói com pequenas coisas:Talvez alguns achem tudo isto ridículo! No entanto, tente um sorriso,arrisque um obrigado,um olhar,um abraço. E lembre-se a se mesmo:”não sou só!” porque a verdade é esta: A esperança é o Outro! Mas o que é esperança? Esperança acontece com pequenos gestos:

  • o bom dia que me dá a pessoa que encontro na rua vindo da padaria
  • a saudação de quem encontro no elevador ou na escada
  • o sorriso trocado com a moça do caixa do super mercado
  • a pergunta que me faz a vizinha de casa: como você está?
  • é o nascimento de um filho, ou sobrinho esperado e desejado há muito tempo
  • é o saber que minha amiga ficou curada, coisa que ninguém esperava
  • esperança são os amigos que adotaram 2 crianças depois da morte imprevista do único filho
  • o telefonar a uma amiga doente e só e lhe perguntar: como vai você;logo que puder irei vê-la
  • é o vizinho de casa que toca o interfone e pergunta: precisa de alguma coisa?
  • é o cartão, e-mail, whatsapp que chega de um amigo que você pensava já ter lhe esquecido
  • é dar a mão a quem está desesperado porque a família se desfez ou perdeu o emprego e a auto-estima, e os amigos sumiram
  • é rezar junto com quem está concluindo a vida, acariciando lhe a mão
  • esperança é quando não há mais nada a fazer, porque a vida escapa, faltam-lhe as forças, o ar não vem, remédios não servem mais
  • é estar vizinho, não abandonar, acariciar, abraçar, dar um beijo, dizer: eu te quero bem, não tenha medo… estou aqui com você … como Maria vizinha a seu Filho crucificado.

Estava ali perto porque o amava. Penso que se fosse possível, ela se deitaria sobre a cruz no lugar dele

24 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Cursa Comunicação Social/Jornalismo na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).