1º Domingo da Quaresma

(Mc 1,12-15)

“O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!”

O tempo da Quaresma vai de Quarta-feira de Cinzas até a Missa na Ceia do Senhor exclusive.

A quaresma consiste no período quarenta dias considerados à luz do simbolismo bíblico que dá a este tempo um caráter salvífico-redentor.[1] “O Tempo da Quaresma visa preparar a celebração da Páscoa; a liturgia quaresmal, com efeito, dispõe para a celebração do mistério pascal tanto os catecúmenos, pelos diversos graus de iniciação cristã, como os fiéis, pela comemoração do batismo e penitência.”[2]

O sentido espiritual desse tempo fica expresso no Prefácio da Quaresma I, no qual se lê: “Vós concedeis aos cristãos esperar com alegria, cada ano, a festa da Páscoa. De coração purificado, entregues à oração e à prática do amor fraterno, preparamo-nos para celebrar os mistérios pascais, que nos deram vida nova e nos tornaram filhas e filhos vossos.”

No evangelho do 1 Domingo da quaresma lemos Mc 1,12-15 e vemos a tentação de Jesus no deserto. O deserto é lugar de encontro com Deus, pois foi no deserto que o Povo de Deus experimentou o amor de Deus. Entretanto o deserto é também é também lugar de provação; foi no deserto que Israel se desviou dos caminhos do Senhor.

O deserto onde Jesus se encontra é, ao mesmo tempo, lugar do encontro com Deus e o lugar da prova, onde ele é confrontado com a tentação de abandonar Deus e de seguir outros caminhos.

O evangelho diz que Jesus ficou 40 dias no deserto. O número 40 faz alusão ao tempo em que o Povo de Deus caminhou pelo deserto, desde que deixou a terra da escravidão, até entrar na terra da liberdade. O número também pode significar a totalidade do tempo de vida de um homem. Na época de Cristo a expectativa de vida girava em torno de 40 anos.

O evangelista não diz qual é a tentação, mas podemos perceber que o Diabo é aquele que tenta desviar Jesus de sua missão de enviado do Pai para que faça escolhas pessoais, segundo suas necessidades do momento, talvez pensou que poderia ser o Messias triunfalista e político esperado por Israel, mas Jesus se mantém fiel ao projeto do Pai.

O evangelista sinaliza com essa passagem que ao longo de sua vida Jesus confrontou-Se com dois caminhos, viver na fidelidade aos projetos do Pai, fazendo da sua vida uma entrega de amor, ou um caminho messiânico de poder, de violência, de autoridade, de despotismo, ao jeito dos grandes deste mundo. Jesus escolheu viver na obediência às propostas do Pai; da sua opção, vai surgir um mundo de paz e de harmonia, um mundo novo que reproduz o plano original de Deus.[3]

Ao celebrar a quaresma vamos buscar seguir o caminho proposto por Jesus e evitar os caminhos que nos levam ao erro e ao pecado. A quaresma é tempo oportuno para isso.

[1] Cf. CELAM. Manual de Liturgia I: a celebração do mistério pascal. 7 ed. São Paulo: Paulus, 2007. p.192.

[2] NUAL 27.

[3]Cf.  Dehonianos.org