24 Domingo do Tempo Comum

Lc 15,1-32

 “Era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado”

O Evangelho do 24º domingo do tempo comum é retirado de Lc 15,1-32. No centro de seu evangelho, Lucas reuniu 3 parábolas que ilustram um tema comum: “participar na alegria de Deus, que agora, por meio de Jesus, acolhe e salva os pecadores.”[1] Essas três parábolas são chamadas de “Parábolas da Misericórdia”, pois mostram que o amor e bondade de Deus, visíveis em Jesus, salvam o ser humano de suas misérias, da solidão e do desespero.[2]

As parábolas da ovelha e da moeda reencontradas (15,1-10) são parábolas gêmeas, pois ilustram o modo de agir de Deus e a sua alegria salvífica que são revelados nas palavras e ações de Jesus. As duas parábolas mostram que o amor misericordioso e constante de Deus busca aquele que se perdeu e alegra-se quando o encontra. A imagem da mulher preocupada, que varre a casa de cima a baixo, ilustra a preocupação de Deus em reencontrar aqueles que se afastaram da comunhão com Ele. Também na parábola da ovelha, a referência à alegria do reencontro: essa alegria manifesta a felicidade de Deus diante do pecador que volta.

A parábola do Filho Pródigo temos 3 pessoas: o pai e seus dois filhos. Os dois filhos vivem em paz, são agricultores abastados economicamente e, por isso, tem uma vida boa. A certa altura da vida, o filho mais novo julga ter uma vida tediosa, insatisfatória. Ele quer um outro estilo de vida, no qual, possa ser livre e fazer o que lhe agrada; uma vida livre de disciplina, sem normas e mandamentos, sem ter que cumprir as ordens do pai.

O filho mais novo decide pegar a parte da herança e partir. O pai respeita a liberdade do filho e faz tudo que seu filho pediu. Depois disso a ideia do filho é: liberdade, fazer tudo o que quiser, ignorar as normas de um Deus que está distante, não permanecer na prisão da minha casa, fazer tudo o que é bonito, aquilo que me agrada.

No primeiro momento tudo corre bem: ele acha bom ter finalmente alcançado a vida, sente-se feliz. Mas depois, pouco a pouco, sente também, nesta nova vida, o tédio. E no final inclusive o dinheiro termina, e o jovem não possui mais liberdade nem dignidade, pois o seu nível de vida é inferior ao dos porcos.

Após perder a sua dignidade o jovem começa a pensar se era realmente aquele o caminho da vida: uma liberdade interpretada como fazer tudo o que quero, viver, levar a vida só para mim, ou se ao contrário não seria talvez mais vida, viver pelos outros, contribuir para a construção do mundo, para o crescimento da comunidade humana; diante disso, decide retornar para a casa paterna, porém não mais na condição de filho e sim como um simples empregado que possa ter condições de vida digna.

Na cena do retorno do filho para sua casa vemos o pai que toma a iniciativa de ir ao encontro do filho e o acolhe sem reservas. Em meio a confissão do filho, o pai responde com gestos significativos ao dar ao filho túnica, anel e sandálias. Ao entregar estes objetos a seu filho, o pai, devolve a ele sua dignidade e liberdade que haviam sido perdidas. E no fim, vemos que o filho regressa a casa interiormente maduro e purificado: compreendeu o que é viver.

Depois desta cena de reencontro temos a reação do irmão mais velho. A atitude do irmão demonstra sua raiva e inveja, contudo, o pai revela a mesma bondade e amor. Uma vez mais o pai toma a iniciativa e suplica ao filho que também participe da sua alegria. Note bem, mesmo quando o filho fiel culpa o pai de ser injusto e parcial, o pai não sabe fazer outra coisa a não ser repetir o que tinha dito no primeiro encontro: um filho reencontrado e como um novo nascimento.

O Evangelho deste domingo ajuda-nos a compreender quem é verdadeiramente Deus: Ele é o Pai misericordioso que, em Jesus, nos ama sem medidas. Os pecados que cometemos, mesmo se grandes, não prejudicam a fidelidade do seu amor. No sacramento da confissão podemos sempre recomeçar de novo a vida: Ele acolhe-nos, restitui-nos a dignidade de seus filhos. Portanto, redescubramos este sacramento do perdão, que faz brotar a alegria num coração renascido para a vida verdadeira.

[1] FABRIS, R.; MAGGIONI B. Os Evangelhos II. Loyola: São Paulo, 1995, p.159.

[2] Ibid.

Referências:

BENTO XVI. Um caminho de fé antigo e sempre novo: pregações para o ano litúrgico ano C. Tomo 3. São Paulo: Molokai, 2017.

FABRIS, Rinaldo; MAGGIONI, Bruno. Os evangelhos II. 3 ed. São Paulo: Loyola, 1998.