250 anos de Devoção ao Bom Jesus de Matosinhos: passado, presente e futuro

19 de maio de 2024: uma data que ficará eternizada nos corações dos devotos do Senhor Bom Jesus de Matosinhos: completam-se hoje 250 anos de devoção.

Quantos fatos temos para rememorar nesses 250 anos de história? Comecemos analisando os números que compõem essa devoção: se somados, chegamos ao número sete. Esse número na Bíblia nos transmite a ideia de totalidade, interação, conclusão, perfeição e consumação. Segundo os escritos bíblicos, Deus criou o mundo em seis dias e no sétimo dia descansou. Como destaca o Gênesis: E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom. E, sem dúvida, Deus viu o quanto foi bom nos presentear como uma imagem que nos recorda o Cristo ainda vivo, crucificado e que está junto de nós.

Recorrendo um pouco mais de história temos duas datas importantes: a primeira, em seis de maio de 1769, quando houve a doação do terreno de 1.500m2 para construção da primeira capela. Passados exatos cinco anos, em 19 de maio de 1774, essa primeira capela em honra ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos é fundada em São João Del Rei. É a partir dela, do alto de sua cruz e com os braços sempre abertos que nesses 250 anos nosso padroeiro abençoa seus paroquianos, peregrinos, visitantes, romeiros e todo o povo de Deus que acorrem aos seus pés para pedir graças e bênçãos. Por falar em romeiros, como não se lembrar das inúmeras romarias que por aqui passaram? Esses romeiros fazem eco à bela canção de Renato Teixeira quando diz: me disseram, porém, que eu viesse aqui, pra pedir em romaria e prece, paz nos desaventos, como eu não sei rezar só queria mostrar: meu olhar, meu olhar, meu olhar.

E assim, nessa troca de olhares entre o nosso padroeiro com seu povo, que sua paróquia se edificou. Do alto do seu trono, em sua cruz, o Bom Jesus acompanhou a transformação do entorno de sua capela, de seu bairro e de seus paroquianos. Impossível olhar para Ele e não contemplar a sua cruz. Como bem canta nosso pároco: Ninguém pode tocar a Cruz do Bom Jesus, sem a seus pés deixar um pouco do que é seu e sem trazer pra si um pouco desta Cruz! A cruz, sua marca principal: para muitos era sinal de loucura. Para nós, cristãos e seguidores do Senhor Bom Jesus de Matosinhos é sinal de salvação e discipulado, pois foi o próprio Cristo que afirmou: “Se alguém quiser ser meu discípulo, pegue tua cruz e me siga”. Inspirar-se no Bom Jesus e segui-Lo implica navegar por elevados sonhos e, quando preciso, arrastar-se no chão duro da realidade.

E com certeza, os elevados sonhos foram a principal motivação de todos aqueles que ajudaram a construir os templos e propagar tão cara devoção. Sem dúvida, muitas foram as lutas e imensas as vitórias. Lembremo-nos, pois, de forma especial, das inúmeras pessoas que dedicaram parte do seu tempo em prol dessa paróquia, verdadeiras rochas vivas e edificantes que não mediram esforços para que hoje pudéssemos estar aqui nessa grande comemoração. Se há 21 anos estávamos felizes pela elevação da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus a Santuário, maior hoje é a nossa alegria por poder comemorar essa efeméride.

Hoje se encontram aqui passado, presente e futuro. Assim como o povo de Israel, agradecemos a Deus pela nossa história, O louvamos pelo momento presente e pedimos bênçãos pelos nossos dias vindouros. Essas bênçãos já se concretizam por meio da benção Apostólica concedida por sua Santidade o Papa Francisco ao Padre José Bittar e toda comunidade paroquial por ocasião do aniversário de 250 anos da consagração da Igreja. É, sem dúvida, um motivo de júbilo e orgulho para todos nós.

Neste dia em que a alegria preenche os nossos corações e, sem dúvida, a emoção toma conta de nós encerramos, dirigindo essa prece ao Bom Jesus, em forma de poema, parafraseando Dom Hélder Câmara: Pai, não queremos nada, vimos apenas te ver! Não leves a mal que nos esqueçamos os pedidos que nos fizeram para te fazermos. Não é egoísmo, Senhor, e a prova é que não faremos também nenhum pedido para nós.

Desejamos apenas serenar-nos, contemplando teu suave rosto. Em nome de todos os homens que vivem te suplicando, em nome de todos os irmãos que já se aproximam de ti de mãos estendidas, deixa que nos esqueçamos, nossa miséria de mendigos, nossa pobreza de criaturas, nossa tristeza de pecadores, para saudar-te!

Bendito seja o Criador de tuas mãos que tem as chagas abertas por onde passa toda a luz que tomba sobre a escuridão dos homens! Bendito seja o Criador de teu olhar boníssimo que tem o dom de acender a esperança nas almas desalentadas, nos corações em desespero, à beira do abismo, do irremediável, do fim!

Bendito seja o Criador de tua sombra suavíssima, pois já notamos Bom Jesus, que basta a tua lembrança, o teu olhar para encher a solidão da vida, a solidão do homem.
Pai, não queremos nada. Vimos apenas te ver e te agradecer por esses 250 anos de devoção.

Ao Senhor Bom Jesus toda honra, toda glória e todo louvor!