2º Domingo da Páscoa

Jo 20,19-31

“Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”

Após os mistérios do Advento e Natal, após ter acompanhado Cristo Senhor na sua vida pública, na Quaresma, na Semana Santa e, sobretudo no Tríduo Pascal, caminhamos em atitude de Páscoa até Pentecostes. Durante cinquenta dias temos conosco a pessoa de Jesus Ressuscitado. As leituras das liturgias dominicais desse ano versam sobre a vida da primeira comunidade que se reúne na fé em Jesus Cristo Ressuscitado; a vida cristã é uma vida pascal; seguindo os passos de Jesus, como novo povo, constroem sobre o fundamento, a pedra principal, que é Cristo. Nos evangelhos destes domingos (São João e a narração dos Discípulos de Emaús de Lucas), o Cristo Ressuscitado continua presente na reunião dos discípulos e é a porta de acesso ao Pai, no Espírito.

No segundo domingo do tempo pascal celebramos um aspecto do Mistério Pascal, a sua Misericórdia. Esse dia é chamado de Domingo da Divina Misericórdia. Essa festa foi introduzida no calendário por São João Paulo II, que em Maio de 2000, instituiu a Festa da Divina Misericórdia para toda a Igreja, decretando que a partir de então o segundo Domingo da Páscoa se passasse a chamar Domingo da Divina Misericórdia. Isto aconteceu em coincidência com a canonização de Faustina Kowalska, humilde Irmã polaca, nascida em 1905 e falecida em 1938, mensageira zelosa de Jesus Misericordioso.

Neste 2º domingo lemos o evangelho de Jo 20,19-31. Este episódio narra a aparição de Jesus aos apóstolos que se encontravam trancados em um lugar e sentiam medo. A comunidade dos seguidores de Jesus se encontra reunida no cenáculo e está insegura, cercada por ambiente hostil. Os discípulos estão com medo. O medo vem, pois, eles ainda não tiveram uma experiência com o ressuscitado.

“Estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: “A paz esteja convosco”.” (Jo 20, 19) A esta comunidade acanhada e mergulhada no medo, Jesus transmite a paz. A paz da qual fala o evangelho não é ausência de guerra, mas harmonia, serenidade, confiança. Assegura-se, assim, aos discípulos que Jesus venceu aquilo que os assustava: a morte, e a hostilidade do mundo.

Na segunda parte do nosso evangelho (Jo 20,24-29), lemos uma verdadeira catequese sobre a fé. O ressuscitado aparece diante da comunidade reunida. Ele não aparece a um discípulo isoladamente. Tomé só vai ter essa experiência com Cristo Ressuscitado quando ele estiver juto de sua comunidade. Tomé representa aqueles que vivem fechados em si próprios (está fora). Ele não acredita no testemunho da comunidade nem percebe os sinais de vida nova que nela se manifestam. Em lugar de se integrar e participar da mesma experiência, pretende obter uma demonstração particular de Deus. Tomé acaba, no entanto, por fazer a experiência de Cristo vivo no interior da comunidade.

Neste dia da misericórdia possamos receber esses dons do ressuscitado: a paz e a fé.