2º Domingo da Páscoa

Jo 20,19-31

“Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”

Estamos celebrando o tempo pascal, “os 50 dias, que vão desde o domingo da ressurreição até o domingo de Pentecostes, são celebrados no júbilo e na alegria, como único dia de festa, ou melhor, como o grande domingo. São os dias nos quais, de modo todo especial, canta-se o Aleluia.”[1]

No 2º domingo do Tempo Pascal lemos o evangelho de Jo 20,19-31, no qual, Jesus aparece aos 10 apóstolos (ausências de Judas, o traidor e Tomé que está fora). A comunidade encontra-se com medo ante um ambiente hostil e por não terem feito experiência com o Ressuscitado.

O evangelho começa dizendo que “No primeiro dia de Semana” os discípulos estavam reunidos. Essa indicação faz referência ao primeiro dia da nova criação. Jesus visita os discípulos no mesmo lugar em que, durante a última ceia, tinha garantido que não os deixaria órfãos.

No versículo 19 lemos: “estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e pondo-se no meio deles, disse: a paz esteja convosco.” A comunidade está fechada, com medo, mergulhada nas trevas de um mundo hostil, Jesus entra e transmite a paz. Paz em hebraico é “shalom“, e significa harmonia, serenidade, tranquilidade, confiança, vida plena. A Paz transmitida pelo Ressuscitado garante aos discípulos que Jesus venceu aquilo que os assustava e que, de agora em diante, os discípulos não têm qualquer razão para ter medo.

Em seguida vemos que “Jesus mostrou-lhes as mãos e o lado”. Jesus mostra que ali está aquele que foi crucificado e não um fantasma.  Nas mãos e no lado trespassado, estão os sinais do seu amor e da sua entrega.

No vv. 22 Jesus envia sobre os apóstolos o Espírito Santo. O termo empregado pelo Evangelista é o mesmo utilizado no texto grego de Gênesis. Com o sopro em Gênesis o homem se tornou um ser vivente; com este sopro do evangelho, Jesus transmite aos apóstolos a vida nova que fará deles homens novos, portanto o ressuscitado cria uma humanidade nova.

Após enviar o Espírito Santo, Jesus, confere aos apóstolos poder e autoridade para perdoar pecados. Com esse ato, Cristo, confere a sua Igreja o mesmo poder e autoridade que Ele tem para perdoar pecados.

Vemos no evangelho que Tomé não estava na comunidade e, por isso, não acreditou. A comunidade é importante para quem tem fé, pois é o lugar onde se professa e se alimenta a fé. Tomé só fará uma experiência verdadeira com o ressuscitado na semana seguinte quando estava reunido com a sua comunidade.

A comunidade é o lugar onde fazemos, verdadeiramente, a experiência do encontro com Jesus ressuscitado. É nos gestos de amor, de partilha, de serviço, de encontro, que encontramos Jesus vivo e ressuscitado.

Referências:

BERGAMINI, Augusto. Cristo, festa da Igreja. São Paulo: Paulinas, 1994.

O Pão Nosso de Cada Dia: subsídio litúrgico-catequético. Ano XVI – nº 184

www.dehonianos.org

[1] BERGAMINI, Augusto. Cristo, festa da Igreja. São Paulo: Paulinas, 1994. p. 380.