2º Domingo da Quaresma

Mt 17,1-9

“Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutai-o!”

No 2º Domingo do Tempo da Quaresma lemos o relato da transfiguração segundo Mateus. Este relato do evangelho é composto por diversos símbolos da teologia hebraica.

A transfiguração acontece em uma montanha. É sempre num monte que Deus Se revela; e, em especial, é no cimo de um monte que Ele faz uma aliança com o seu Povo.

A transformação do rosto de Jesus e suas roupas brancas fazem alusão ao resplendor de Moisés, ao descer do Sinai (cf. Ex 34,29), depois de se encontrar com Deus e de ter as tábuas da Lei.

A nuvem que paira sobre o monte é sinal da presença de Deus. No Antigo testamento a nuvem era sinal da manifestação de Deus. No êxodo era na nuvem que deus manifestava a sua presença e conduzia o povo pelo deserto.

Dois personagens bíblicos: Moisés e Elias representam o que Israel tem de mais importante: a lei e os profetas. Esses dois personagens, de acordo com a teologia judaica, deviam aparecer no “dia do Senhor”, quando se manifestasse a salvação definitiva.

Temos outros elementos interessantes como o temor dos discípulos e o pedido da construção de tendas. O temor/espanto é um sentimento comum do ser humano diante da grandeza de Deus. Ao falar de tendas é evidente a alusão à “festa das tendas”, em que se celebrava o tempo do êxodo, quando o Povo de Deus habitou em “tendas”, no deserto.

Esses elementos da teologia e tradição judaica elencados por Mateus cumprem um objetivo, pois nosso evangelista escreve para Cristãos oriundos do judaísmo e assim, o autor deixa claro que Jesus é o Filho amado de Deus, em quem se manifesta a glória do Pai. Ele é, também, o Messias esperado por Israel, anunciado pela Lei (Moisés) e pelos Profetas (Elias). Mais ainda: ele é um novo Moisés – isto é, aquele através de quem o próprio Deus dá ao seu Povo a nova lei e através de quem Deus propõe aos homens uma nova aliança.