3º Domingo da Páscoa

Ev Lc 24, 13-35

“Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?” (Lc 24, 32).

O evangelho do domingo é a narração da manifestação de Jesus Ressuscitado a dois discípulos que, desanimados e desiludidos caminhavam para a aldeia de Emaús. Jesus se faz também caminhante com eles e lhes dá novo ânimo, como também lhes explica o sentido das Escrituras e de que tudo que acontecera com Jesus fora predito pelos profetas. Mas Jesus não se esquiva em continuar junto com eles ao chegarem a casa, pois já se fazia noite e assim participava da hospitalidade ambos. E na refeição se deu a conhecer: era o Ressuscitado! E os dois voltam rapidamente à Jerusalém, alegres a participar a sua experiência aos demais irmãos da comunidade.

“Eles o reconheceram ao partir o pão”. Jesus, anônimo companheiro de caminhada na estrada, mas atento às interrogações dos dois discípulos, manifesta-se tão próximo no rito da fração do pão. Essa foi a experiência das primeiras comunidades cristãs, que se reuniam para fazer a memória do Senhor Jesus e partilhavam a refeição eucarística, como também estavam atentas às necessidades de todos. A força do Senhor Ressuscitado mostrava-se presente na ação dos cristãos.

A Eucaristia é o momento solene para a Igreja: proclama-se a Palavra e reparte-se o pão. Assim a Igreja pode celebrar sempre a Páscoa do Senhor. E a força da presença do Senhor levará os cristãos a testemunharem sua coerência de vida, quando se abrem às necessidades de todos com quem se faz comunidade e, ao mesmo tempo, a ficarem abertos às realidades do mundo de hoje, para a superação das desigualdades e injustiças. A participação da Eucaristia nos obriga a partilha de nós mesmos e dos bens disponíveis que temos com os que menos têm. A força do testemunho da Igreja, no anúncio do Senhor Ressuscitado, faz-se por gestos concretos de atenção principalmente com os mais pobres.

O Papa Francisco disse que o caminho de Emaús se transforma “em símbolo do nosso caminho de fé: as Escrituras e a Eucaristia são os elementos indispensáveis para o encontro com o Senhor”. Assim como os discípulos de Emaús acolheram a Palavra e partilharam a fração do pão e de tristes e derrotados que se sentiam tornaram-se alegres, também cada cristão encontre no Ressuscitado a Vida que vence a tristeza.

Texto: Dom Célio de Oliveira Goulart – Bispo Diocesano

Atualização: Padre Vinícius Idefonso Campos