3º Domingo de Páscoa

I Leitura – Atos 5,27b-32.40b-41 Salmo 29 (30) II leitura– Ap 5,11-14 Evangelho – Jo 21,1-19

Jo 21,1-19

 “Em verdade, em verdade te digo: quando eras jovem, tu te cingias e ias para onde querias. Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir”

No 3º Domingo do tempo pascal lemos o evangelho de Jo 21,1-19. Nesta perícope nos é contada uma aparição de Jesus aos apóstolos e podemos dividi-la em duas partes, sendo a primeira, dos versículos (vv.) 1-14 e a segunda parte dos vv. 15-19. Na primeira parte, os apóstolos voltam a pescar e Jesus aparece após uma noite de fracasso na pescaria; na segunda parte vemos Pedro confessar por três vezes o seu amor a Jesus.

A primeira parte (1-14) são 3 os elementos importantes dessa pescaria: 1- o contraste entre o fracasso e a abundancia da pescaria após o convite de Jesus; 2- o simbolismo dos 153 grandes peixes; 3- a rede que não se rompeu.

O milagre da pesca faz referência à missão e a semelhança entre a pesca milagrosa e a missão da Igreja deve ser em nível profundo. O trabalho dos pescadores é em vão, pois “sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5). Mas quando aparece Jesus tudo muda. É a palavra do Senhor que faz a rede encher, é a palavra de Jesus que dá eficácia ao trabalho dos apóstolos. O trabalho apostólico sem Cristo é estéril, e com Cristo, é fecundo.

A respeito do número 153 temos a explicação de São Jerónimo. Segundo ele, os naturalistas antigos distinguiam 153 espécies de peixes: assim, o número faria alusão à totalidade da humanidade, reunida na mesma Igreja. Em qualquer caso, significa totalidade e universalidade. Essa universalidade e totalidade não rompem a unidade da Igreja.

Na segunda parte (15-19) temos Jesus perguntando três vezes a Pedro se ele o ama. Alguns estudiosos ligam essa passagem ao episódio da tríplice negação de Pedro. É uma interpretação válida. Mas, segundo estudos recentes podemos dizer que o significado gira em torno do contraste entre a fragilidade de Pedro e a dificuldade da tarefa a ele confiada. Pedro é rocha e pastor por graça e não por mérito. A sua solidez vem unicamente de Jesus e Pedro compreende isso, tanto que, sua resposta já não é mais presunçosa, como quando ele disse amar o Senhor mais que os outros, nessa passagem ele prefere apelar para a bondade de Jesus que sabe ler o coração humano e percebe qual é o nível de profundidade do amor de Pedro para com seu mestre.