4º domingo da Páscoa

João 10,11-18

“Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas”

Bom Pastor e Ovelhas: imagens e figuras, que não nos tocam mais pois vivemos numa sociedade quase totalmente urbana. Mais de 80% dos brasileiros vivem nas cidades e dessa porcentagem uma quantidade imensa de pessoas vive nas grandes cidades. Portanto pastor e ovelhas não constituem nossa realidade.

A nós do século 21 sermos comparados a um rebanho é de certa forma antipático. Alguns santinhos com Jesus tendo nos ombros uma ovelhinha não encaixa em nossa mentalidade de hoje porque não se trata de caminhar de cabeça baixa, de renunciar aos próprios pensamentos e aos próprios sentimentos. Não é assim!

O Pastor do Evangelho, Jesus Cristo, está nos servir em nossa liberdade e dignidade. Ele não pensa no nosso lugar e nem mesmo decide por nós. A comparação com ovelhas não significa que devamos ser passivos, meramente conduzidos, sem cabeça para decidir nada. Deus nos trata como adultos responsáveis e quer que os pastores, seus representantes façam o mesmo. Deus nos leva a sério. E quando escutamos Deus ouvimos com surpresa que ele nos chama pelo nosso próprio nome.

Mas porque Jesus escolheu essa imagem de Bom Pastor? Para os hebreus a riqueza consistia em que? Quando um homem poderia se considerar sortudo/rico e sua vida era de causar inveja? Era quando ele tivesse muitos filhos e uma quantidade enorme de rebanho. E a desgraça caia sobre ele quando perdia as ovelhas do rebanho.

Eis porque Jesus parte dessa comparação entre Ele e nós. Dizemos sempre o Bom Pastor… mas lendo o texto na língua em que João escreveu está: o “Belo” Pastor! isto é:o verdadeiro, o bom, aquele que sabe fazer, aquele em quem se pode confiar. Mas qual é a beleza de Jesus?

O Evangelho não nos diz nada sobre seus cabelos, a cor de seus olhos, sua altura, etc. Pensemos por um momento em Madre Tereza de Calcutá, (entre nós em Irmã Dulce, na Bahia e, mais perto de nós, em Nhá Chica). Fisicamente não eram nada bonitas (“feinhas” até), mas quando se olha uma fotografia delas sentimos que eram pessoas belíssimas porque transparecia aquilo que elas faziam. E o que faziam? Dedicavam-se a Deus dedicando-se aos outros. Madre Tereza de Calcutá dizia que de manhã ela tocava o Corpo de Cristo sob a aparência de pão e durante o dia ela tocava o Corpo de Cristo sob a aparência dos pobres.

Chegarmos a uma vida cristã bela é: descobrir que Jesus nos tem, cuida de nós, dedica-se a cada um de nós e o faz desinteressadamente. E assim podemos ver o corpo de Cristo sob a aparência dos excluídos, dos últimos, dos abandonados. Há uma frase belíssima no profeta Isaias que devemos senti-la direcionada individualmente a cada um: “Eu te chamei pelo nome, tu me pertences, és precioso(a) aos meus olhos, és digno(a) de estima. Eu te amo” (Is.43,1-3).

Desse modo o Evangelho põe em contraste o Belo Pastor e o Mercenário. A diferença básica entre os dois está no interesse. Ao pastor importa de verdade as ovelhas, ao mercenário importa o dinheiro, suas ovelhas são simplesmente um instrumento: as ovelhas lhe servem. O Pastor verdadeiro ao contrário serve as ovelhas.

A mais grave ameaça para as ovelhas consiste em serem instrumentalizadas, dominadas , aproveitadas. O Pastor é totalmente desinteressado de si mesmo e profundamente interessado na vida das ovelhas. Desse modo os primeiros cristãos sentiam a figura de Jesus o Belo e Bom Pastor não preocupado em vigiar e controlar as ovelhas mas em cuidar, em estar junto a elas, em nunca fugir.

Seguir a Jesus como nosso Bom Pastor será vivermos o que ele viveu na tarefa de construir o Reino de Deus que Ele aqui começou. Mas enquanto a meditação for substituída pela Televisão; o silêncio interior for trocado pelos auto falantes; o seguir os valores da consciência submetidos cegamente à moda… será difícil escutarmos a voz do Bom Pastor que nos ajuda a viver no meio desta sociedade de consumo que consome seus consumidores.

Nós rezamos uma infinidade de ladainhas a Deus mas pelas palavras de Jesus também Deus diz suas ladainhas de amor a nós. “Eu te chamei pelo nome, tu me pertences, és precioso, és preciosa aos meus olhos, és digno(a) de estima. Eu te amo.” (Is.43,1-3)

24 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).