5º Domingo da Quaresma

Ev Jo 11, 1-45

“Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá” (Jo 11, 25).

Em sua experiência humana Jesus partilhou sua amizade com pessoas queridas em Betânia: Lázaro, Marta e Maria, que eram três irmãos. A passagem do Evangelho de hoje, de uma beleza profunda e com diversos detalhes, mostra-nos o quanto Jesus era próximo e amigo destes três irmãos. É avisado da morte de Lázaro. Demora um pouco em chegar à Betânia. Encontra-se primeiramente com Marta, que lhe cobra a demora. Mas, a partir daquele momento dá-se entre Jesus e Marta o diálogo que a leva a entender que diante dela estava alguém que viera dimensionar para sempre o sentido da vida humana: somos criados para a imortalidade. Mas, para isso é necessário acreditarmos na Ressurreição de Jesus. Ele é o Senhor da Vida. Com Marta e Maria, professamos nossa fé no Cristo, para que, ressuscitados e em comunhão com ele, caminhemos para o Pai, sendo causa de ressureição e vida plena para os outros.

Jesus chorou diante do túmulo de Lázaro. É a revelação do que é tão humano em Jesus, o Filho de Deus. Está triste pela perda do amigo, mas coloca-se diante do Pai e, na confiança de que o Pai O escuta, proclama a Lázaro que volte à vida. Também aí está o sinal de que Ele seria vencedor da morte pela sua ressurreição. A partir daí muitos acreditaram em Jesus. O que era também a finalidade da narrativa dessa passagem do Evangelho.

A atitude de Jesus pode nos levar a dois momentos de reflexão: os laços de amizade que unem os amigos e a profissão de fé na vida para além da morte. Creio que o texto sagrado nos convida a uma reflexão sobre as nossas amizades, o valor que eu dou a este sentimento. Bem como nos indica os passos para reconhecermos os verdadeiros amigos, sem é claro reconhecer as nossas limitações e as do meu próximo. Nossos relacionamentos deverão ser duradouros, firmes. O verdadeiro amigo é aquele que se aproxima do outro com segurança, partilha momentos felizes, mas também as situações mais difíceis. Na realidade de um mundo em que as pessoas se manifestam muito superficiais, egoístas e voltadas apenas para si, de repente é necessário aprendermos com Jesus a estabelecermos amizades profundas. Também é necessário acreditarmos que somos chamados à imortalidade. É na experiência da vida na Igreja que podemos sentir tais sentimentos.

Texto: Dom Célio de Oliveira Goulart – Bispo Diocesano

Atualização: Padre Vinícius Idefonso Campos