8º Domingo do Tempo Comum

Foto: Álisson Macedo

Ev Mt 6, 24-34

“Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo”. (Mt 6, 33).

Hoje como ontem o homem busca incansavelmente por segurança. Busca várias formas de proteger-se e proteger tudo aquilo que vai acumulando ao longo de sua vida. O homem tem, então, a necessidade de confiar, mas muitas vezes acaba depositando a sua confiança em falsas coisas. Isso porque todos os meios de segurança apresentados pelos seres humanos acabam, cedo ou tarde, sendo muito de desilusões.

Quando falamos em um Deus providente, entendemos que Ele cuida e vela por nós seus filhos e filhas, como também por tudo aquilo que tem sua origem por sua vontade criadora. No contexto do Sermão da Montanha, Jesus nos ensina a sermos confiantes e a nos colocarmos nas mãos do Pai. Se Ele cuida dos pequenos animais e das mais tênues flores, com muito mais razão cuidará de nós, que somos seus filhos. É o ensinamento da palavra de Deus neste domingo, tanto em sua primeira leitura, quando o Profeta Isaías nos fala do amor de Deus por nós como sendo maior do que o da mãe por seu filho, como também no Evangelho, em que Jesus declara ser a vida dos homens diante de Deus muito preciosa.

Mas devemos entender que nossa postura nunca deverá ser de acomodação. Cabe a cada de um nós trabalharmos com os dons recebidos e fazê-los multiplicar. E, ainda mais, a mensagem do Evangelho deve nos levar a trabalhar por ideais mais nobres, como fazer com que o Reino de Deus e sua justiça tornem-se realidade entre nós. Há muitos esforços de avanços na tecnologia; na evolução da ciência, da informática e tantas coisas mais. Por isso será tarefa do cristão em avançar na construção dos valores humanos e éticos. É fácil observarmos ainda a existência de guerras, de poderosas potências sobre outras, de luta pelo poder entre pessoas de um mesmo país, de competição pela supremacia de uns pelos outros, sem fazer valer a justiça e as expressões concretas do Reino de Deus entre nós.

Concretamente devemos nos empenhar para que o Reino de Deus possa acontecer nas realidades em que vivemos: na família, na sociedade, na comunidade onde vivemos. O Senhor nos convida a acertar a nossa vida, corrigir o que não vai bem, dar um novo sentido às coisas que já estão gastas. Por isso, a preocupação principal no relato bíblico não é tanto a de matar a fome ou a roupa que vestir, mas alertar a cada um de nós que o que vem em primeiro lugar é o Reino de Deus. Toda a nossa vida, nossas atitudes devem ser orientadas a partir da adesão que fazemos pelo Reino de Deus, pois quando Deus é o centro da nossa vida somos verdadeiramente mais humanos e justos. Eis o que importa: o Reino de Deus! E não as vãs preocupações…

Texto: Dom Célio de Oliveira Goulart – Bispo Diocesano

Atualização: Padre Vinícius Idefonso Campos