A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) inicia nesta quarta-feira, 15, em Aparecida/SP, sua 62ª Assembleia Geral. Bispos de todo o Brasil estarão reunidos no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida/SP, para dias de convivência, oração e definições importantes para a missão da Igreja Católica no país. Dom José Eudes Campos do Nascimento, Bispo Diocesano de São João del-Rei, participa do evento que segue até a sexta-feira, 24 de abril.
Órgão supremo da CNBB, a Assembleia Geral é “a expressão e a realização maior do afeto do colegial, da comunhão e da corresponsabilidade dos Bispos da Igreja no Brasil”. O Estatuto da CNBB estabelece que este órgão tem a finalidade de realizar os “objetivos da CNBB, para o bem do povo de Deus”. Nesse encontro, são tratados assuntos pastorais relacionados à missão da Igreja e aos problemas das pessoas e da sociedade, sempre na perspectiva da evangelização.
São convocados para a Assembleia Geral da CNBB os membros da Conferência: cardeais, arcebispos, bispos diocesanos, auxiliares e coadjutores. Os bispos eméritos, administradores diocesanos e representantes de organismos e pastorais da Igreja são convidados. A Igreja Católica no Brasil possui 281 circunscrições eclesiásticas. O número de bispos no país é de 497, dos quais 324 estão no exercício do governo pastoral de alguma diocese/arquidiocese e outros 173 são bispos eméritos. Destes, 373 estão inscritos na 62ª Assembleia Geral da CNBB.
Tema Central
O tema central desta assembleia é a aprovação das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Após um processo de atualização adiado para receber as contribuições do Sínodo sobre a Sinodalidade, o texto com os acréscimos e contribuições recebidos também das dioceses, pastorais e organismos chega ao conjunto do episcopado para ser votado e aprovado.
O texto é fruto de um processo iniciado em 2022 e marcado por ampla escuta, participação e discernimento em chave sinodal. A expectativa é que o episcopado brasileiro consolide, nesta Assembleia, um documento que deverá orientar a ação pastoral da Igreja no país nos próximos anos, em sintonia com os desafios contemporâneos e com o caminho sinodal vivido pela Igreja no mundo.
Ao longo desse percurso, dois marcos se destacam como referências fundamentais: a carta dos bispos à Igreja no Brasil, que deu início ao processo, e a mensagem enviada pelo Papa Francisco ao episcopado brasileiro, que confirmou e encorajou o caminho adotado.
As diretrizes formam o documento que direciona e orienta a missão da Igreja de evangelizar. Elas auxiliam as dioceses de todo o país na sua atuação pastoral a partir do discernimento da realidade e oferece propostas para iluminar a vida eclesial e a sociedade a partir dos valores do Evangelho. Além do tema central, os bispos também vão tratar de três temas prioritários, 20 temais diversos, 4 mensagens e 10 comunicações. O encontro dos bispos também conta com um retiro espiritual, que acontece nos primeiros dias de assembleia.
Entre os temas prioritários está o relatório da Presidência da CNBB, e entre os temas diversos as análises de conjuntura social e eclesial; o processo de implantação do Sínodo sobre a Sinodalidade no Brasil; aprovações de textos litúrgicos; as Campanhas da CNBB; a Tutela de Menores e adultos vulneráveis; o Congresso Americano Missionário (CAM 7), marcado para 2029; o Bicentenário das Relações Diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé; a atualização do Documento “Evangelização da Juventude” (Doc. 85 CNBB); e o 19º Congresso Eucarístico Nacional, marcado para 2027.


Programação
A programação diária dos bispos tem início às 8h, com a oração das Laudes, no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida. A primeira das quatro sessões diárias começará às 8h30 e a segunda às 11h. Já às 10h30, bispos definidos pela Presidência concedem entrevista coletiva à imprensa, com transmissão pelas redes sociais da CNBB. À tarde, as sessões retornam às 15h, com a oração da Hora Média. Às 18h, os bispos celebram a Eucaristia com a oração das Vésperas, no altar central da basílica de Aparecida.
Nos primeiros dias, os bispos vivenciarão um retiro espiritual, com início na tarde do dia 15 de abril e conclusão com a Eucaristia, na noite de quinta-feira. Antes da celebração, prevista para 18h, os bispos rezarão o terço durante procissão do Centro de Eventos até a Basílica do Santuário Nacional.
No sábado e no domingo, as missas serão pela manhã: no dia 18, às 7h, e no dia 19, às 8h.
A carta à Igreja no Brasil: ponto de partida do caminho sinodal
Ainda em 2022, durante a 59ª Assembleia Geral, os bispos brasileiros divulgaram uma carta à Igreja no Brasil apresentando o itinerário de construção das novas Diretrizes. Mais do que um cronograma, o documento expressou uma escolha clara: trilhar um caminho sinodal, com ampla participação do Povo de Deus.
Na carta, o episcopado reafirma o compromisso de construir “uma Igreja decididamente sinodal”, destacando a necessidade de avançar sem retrocessos, com mais escuta, diálogo e corresponsabilidade. O texto também aponta para a urgência de uma Igreja mais fraterna, missionária e comunitária, capaz de responder aos desafios do tempo presente.
Esse documento teve papel decisivo ao mobilizar dioceses, organismos e fiéis em todo o país, incentivando a participação ativa e o envio de contribuições. Ao mesmo tempo, situou a elaboração das Diretrizes em sintonia com o Sínodo sobre a Sinodalidade, ampliando o horizonte eclesial da reflexão.
Em 2023, o processo avançou para o discernimento pastoral, com reflexões sobre os impactos da pandemia, as transformações culturais e digitais e desafios como a pobreza, a polarização e o enfraquecimento do senso de pertença eclesial. Nesse contexto, ganharam força as palavras-chave comunhão, participação e missão, que passaram a orientar a elaboração do texto.


A carta do Papa Francisco: encorajamento e confirmação
Em 2024, durante a 61ª Assembleia Geral, o Papa Francisco enviou uma carta ao episcopado brasileiro na qual manifestou alegria pelo processo de elaboração das Diretrizes, destacando seu caráter sinodal. A mensagem foi recebida como sinal de comunhão com a Igreja no Brasil e como confirmação do caminho percorrido. O Papa encorajou os bispos a manterem viva a caridade, a busca pela verdade e o compromisso com o Evangelho, recordando que toda ação pastoral deve ser guiada pelo amor e pela entrega.
Ainda em 2024, os bispos trabalharam sobre um instrumento de trabalho que sistematizou as contribuições recebidas. A metodologia incluiu a “conversa no Espírito”, com grupos de discernimento voltados à escuta dos sinais dos tempos e à definição de caminhos pastorais.
A imagem da “tenda alargada” tornou-se inspiração central, expressando o desejo de uma Igreja mais acolhedora, aberta e missionária. O processo também buscou integrar as conclusões do Sínodo e dialogar com questões emergentes, como o impacto das novas tecnologias, a crise climática e o crescimento do individualismo.
Equipe de Elaboração e amadurecimento do texto
Ao longo do processo, o texto passou por sucessivas revisões e foi profundamente marcado pela atuação da Equipe de Elaboração das Diretrizes, que teve papel decisivo na escuta, sistematização e discernimento das contribuições vindas de dioceses, organismos e conselhos pastorais. Em 2026, o documento alcançou sua 23ª versão, consolidando um caminho construído de forma colegiada, marcado pela escuta, pela corresponsabilidade e pelo método sinodal como eixo estruturante. O texto também incorpora inspirações do Papa Leão XIV e do magistério recente.
A assessora da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB e membro da Equipe de Elaboração das Diretrizes, Mariana Aparecida Venâncio, destaca a relevância do grupo nesse percurso. “Dom Leomar Brustolin foi designado para presidir a equipe e buscou constituí-la com bispos que representassem todo o Brasil. Além disso, ela conta com a assessoria de peritos e assessores da CNBB”, afirma.
Segundo Mariana, a composição plural e representativa da equipe foi fundamental para garantir que o texto refletisse a diversidade e a riqueza da realidade eclesial brasileira, contribuindo de maneira decisiva para a qualidade e a unidade das Diretrizes. Também para dom Leomar Brustolin, arcebispo de Santa Maria (RS), o trabalho da equipe tem favorecido um maior aprofundamento e comunhão entre os bispos. “Há uma grande participação, comunhão e senso de pertença. Acho que nas Diretrizes teremos grandes linhas para a evangelização”, destacou.
Versão final e votação em 2026
Em março de 2026, o Conselho Permanente da CNBB recebeu a versão final das Diretrizes, considerada uma das mais abrangentes já elaboradas pela Conferência em termos de escuta e participação. O documento está estruturado em seis capítulos, abordando desde a imagem da comunidade como “tenda” até compromissos sinodais concretos. Para Mariana Venâncio, um dos aspectos mais significativos é a mudança na forma de organização do texto. “Aquilo que, em diretrizes passadas, denominávamos prioridades ou eixos, agora são caminhos por meio dos quais a Igreja no Brasil busca atender ao chamado à sinodalidade”, explica.
Ela destaca ainda o vínculo direto com o Sínodo, aprontando o Sínodo da Sinodalidade como uma das referências fundamentais dessas DGAE. “Ela se constitui como um grande instrumento de recepção, apontando o modo como a Igreja no Brasil pode viver a sinodalidade em suas realidades, desafios e potencialidades”.
O objetivo geral do texto, ainda a ser aprovado, é “evangelizar, anunciando Jesus Cristo, como Igreja sinodal sustentada pela Palavra e pelos sacramentos”, com forte ênfase na missão, na comunhão e na participação.
Um marco para a Igreja no Brasil
A 62ª Assembleia representa o ponto culminante de um processo de quase quatro anos, marcado por escuta, diálogo e amadurecimento coletivo. Caso aprovadas, as novas Diretrizes deverão orientar a ação evangelizadora da Igreja no Brasil em um cenário de profundas transformações sociais, culturais e religiosas.
Mais do que um documento, as DGAE expressam um modo de ser Igreja: sinodal, missionária e atenta aos sinais dos tempos. Sustentadas pela carta inicial dos bispos e confirmadas pelo encorajamento do Papa Francisco, elas apontam os rumos da evangelização no país para os próximos anos.


Atualização tecnológica
A votação da 62ª AGCNBB vai contar, pela primeira vez, com o auxilio de uma novidade tecnológica no processo de deliberação: o uso de Keypads, dispositivos eletrônicos que permitem a realização de votações em tempo real, sem a necessidade de conexão com redes ou internet.
Os aparelhos serão utilizados pelos bispos durante as votações da Assembleia, oferecendo maior agilidade e precisão na coleta e apuração dos votos. As votações serão realizadas para a aprovação de equipes, atas, das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), entre outros itens da pauta. Para cada deliberação, os participantes utilizarão o teclado numérico dos dispositivos, sendo o número 1 correspondente ao voto “sim”, o número 2 ao voto “não” e o número 3 à “abstenção”.
Os Keypads são ferramentas já empregadas em diferentes contextos, como congressos, apresentações, pesquisas, eleições e ambientes educacionais, especialmente em situações que exigem respostas rápidas a questões de múltipla escolha. A adoção da tecnologia foi precedida por um teste realizado durante reunião do Conselho Permanente (Consep) da CNBB, em fevereiro de 2026. Na ocasião, cada participante recebeu um dispositivo para simular votações, após orientações detalhadas sobre o funcionamento do sistema.
“Reze por nós”
A Assessoria de Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) disponibilizou no hot site da 62ª Assembleia Geral da CNBB uma ferramenta de sorteio incluindo o nome e diocese de todos os 373 bispos que vão participar do encontro do episcopado brasileiro. O recurso visa criar uma maior conexão e permitir que fieis de todo o Brasil sorteiem e rezem por um bispo durante os 10 dias da 62ª Assembleia da CNBB.
No vídeo, abaixo, o secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, pede a oração dos fiéis como uma forma de fortalecer os bispos em sua missão evangelizadora no Brasil e nas decisões que tomarão durante a Assembleia. “No hot site da Assembleia você pode sortear o nome de um bispo para quem pedimos que reze e peçam bênçãos e luzes do Espírito Santo nestes dias que estaremos no Santuário Nacional acolhidos por nossa mãe e padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. Esteja conosco e reze por nós”, disse dom Ricardo.
Para sortear o nome de um bispo basta entrar no hot site da 62º Assembleia Geral da CNBB e ir na sessão “Reze por um bispo”. Depois, basta clicar em “sortear” e ver o nome do bispo pelo qual que você é convidado a rezar durante os 10 dias da Assembleia. Caso queira compartilhar uma foto ou imagem rezando basta usar a hashtag #eurezopelosbispos. Sorteie o nome do bispo para o qual rezará (aqui).
Entenda a assembleia e veja o convite do secretário-geral:
Informações: CNBB






