Aclamada como santa dos impossíveis, Santa Rita é festeja em Ritápolis

Conhecida entre os católicos como a santa das causas impossíveis, o dia de Santa Rita de Cássia foi comemorado na última sexta-feira, 22, com muita festa. A pequena cidade de Ritápolis ficou repleta para as celebrações de missas e procissão, reafirmando a força da devoção. Durante os dias festivos, o município recebeu peregrinos vindos de diversas cidades da região e de diferentes partes de Minas Gerais, transformando o Santuário em um grande espaço de fé, oração e esperança.

As peregrinações marcaram profundamente a programação deste ano. Grupos de devotos chegaram a pé, muitos deles cumprindo promessas e testemunhando graças alcançadas por intercessão de Santa Rita de Cássia. Entre os momentos mais emocionantes estiveram as caminhadas realizadas durante a madrugada, quando centenas de peregrinos enfrentaram quilômetros de estrada movidos pela fé e pela confiança na santa.

As celebrações litúrgicas, missas, novenas e procissões reuniram famílias inteiras em um clima de espiritualidade e devoção. Segundo o pároco, Padre Sérgio França, a devoção à Santa Rita extrapola os limites da paróquia. “No dia 22 nós vemos essa cidade abarrotada de tantos peregrinos, tantos devotos, advindos de tantas partes de nossa diocese. É uma devoção muito bonita, é um amor muito grande por Santa Rita manifesto nesses dias. Para todos, ela é modelo de santidade, porque ela foi modelo, para nós, enquanto filha, vivendo em um lar cristão, na obediência, nos valores, na caridade. Ela é para nós modelo enquanto namorada, que viveu um namoro cristão, porque ela era uma pessoa que, embora no casamento, ela já tinha se dado a Deus. Ela viveu um casamento que, embora na dificuldade, no desafio de um marido sem Deus, rude, austero, cheio de ódio, ela foi plenamente esposa. Foi plenamente mãe que educou esses filhos e quis como o primeiro objetivo da sua maternidade levá-los a Cristo. Ela é modelo para nós de viúva, porque na sua viúvez ela somente viver para Cristo, confiando na vontade de Deus. E ela é também é para nós modelo de consagrada, aquela que, no tempo de Deus, alcançou aquela vocação de infância que Deus já tinha suscitado no seu coração. Então ela atrai tantos, porque ela não é só modelo para alguns, ela é modelo para todos nós, de uma santidade vivida profundamente”, destaca.

Sobre o título de “Santa dos Impossíveis”, o sacerdote reforça que essa tradição vem do seus exemplo de vida e que ainda instiga a todos. “Acho que brota, sobretudo, da impossibilidade da realização daquilo que ela sonhava, das tantas portas fechadas que ela teve, mas não somente isso, a sua história é marcada por fatos impossíveis. Por exemplo, não é que Santa Rita realiza o impossível, mas ela nos faz acreditar no Deus do impossível. Ela de fato é o nosso amparo neste caminho”.

Neste a festa teve como tema: “300 anos, uma história de fé”, fazendo memória do primeiro registro documental da devoção a Santa Rita de Cássia nestas terras a ela confiadas. Desde 1726 esta bonita devoção marca a história de um povo, atrai devotos e sustenta a caminhada de fé de tantos.

O dia maior da festa contou, ainda, com benção da relíquia e de rosas. A planta remete a uma roseira que ela plantou no convento em 1417. Segundo a tradição, durante um período em que ela esteve doente, as irmãs levaram algumas rosas a ela. O interessante, porém, é que as rosas haviam brotado milagrosamente, pois era inverno. Essa roseira continua dando rosas em todo inverno até os dias de hoje. As rosas simbolizam também a intercessão de santa Rita pela conversão dos pecadores e a bondade de seu coração.

Para muitos devotos, participar da festa vai além de uma tradição religiosa. É um reencontro com a fé, com a esperança e com a própria história de vida. Em cada passo das peregrinações, em cada vela acesa e em cada oração silenciosa, os fiéis demonstraram que a devoção a Santa Rita de Cássia permanece viva e profundamente enraizada no coração do povo mineiro.