A Doutrina Social da Igreja e a CF 2019

O significado da palavra Igreja tem a sua origem no termo grego ekklesia, cuja compreensão era a de assembleia aberta para a participação dos cidadãos. É importante destacar que, etimologicamente, a palavra ekklesia é composta de dois radicais gregos: ek, que significa para fora, e klesia, que significa chamados. Nessa perspectiva, Igreja, antes ekklesia no grego ou eclesia no latim, significa assembleia dos chamados para fora. Portanto, o entendimento da missão da Igreja é centrado no chamado para fora de seu círculo organizacional.

O sentido originário do termo Igreja não é de fechamento em si mesmo, mas o de abrir-se para o mundo. Ser Igreja é agir conjuntamente no mundo. Não há como pensar que a Igreja, na sua condição de comunidade de fé, se estabeleça numa concepção de ação pastoral que separe fé e vida.

O divórcio entre fé e vida explica a atitude de muitos cristãos em separar fé e política. A política não é tudo, mas está em tudo. A fé, por um lado, possui a sua dimensão pessoal no cultivo do eu espiritual e, por outro, abrange toda a ligação do eu com os outros habitantes do planeta. A fé implica abranger toda a nossa existência, bem como a relação com tudo que nos circunda. Eis o mandamento: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.

Dessa maneira, somos a Igreja do eu e do nós, das orações individuais e comunitárias, das celebrações da vida e das ações pastorais no mundo onde habitamos. Considerando o óbvio de que habitamos um planeta constituído de complexidades que afetam diretamente a vida individual, familiar e coletiva, a Igreja não deixa de explicitar aos seus fiéis membros a sua doutrina em relação à nossa condição de seres políticos.

Já afirmava Aristóteles: “O homem é um animal político”. É por essa razão que a Igreja possui em sua doutrina ensinamentos que nos ajudam a enfrentar, na condição de cristãos cidadãos, a luta por melhoria no âmbito das questões sociais e políticas que envolvem a nossa existência.

Nesse aspecto, as injustiças sociais, a destruição do meio ambiente, bem como a retirada ou o não cumprimento de Direitos Humanos que dizem respeito ao acesso à saúde, educação, moradia, previdência social, emprego e trabalho, se constituem como pecados sociais que precisam ser combatidos à luz da chamada Doutrina Social da Igreja.

Os fundamentos de tal Doutrina remontam ao livro do Êxodo, perpassando toda a Bíblia e a História da Igreja, chegando às encíclicas papais, a exemplo da Rerum Novarum de Leão XIII à Laudato Si do Papa Francisco.

Em termos de Doutrina Social da Igreja, evidencia-se, neste momento, o chamamento para voltar nossas atenções à Campanha da Fraternidade, cujo tema é: “Fraternidade e Políticas Públicas” e o lema: “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is, 27).

A Campanha da Fraternidade nos convida para a missão. Por isso, Dom Leonardo Ulrich Steiner, Secretário Geral da CNBB, afirma: “Todos os anos, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresenta a Campanha da Fraternidade como caminho de conversão quaresmal. Um caminho pessoal, comunitário e social, que visibilize a salvação paterna de Deus”.

Na condição de cristãos católicos, sigamos em nossa missão incluindo em nossas ações o compromisso de transformar as estruturas injustas que provocam o pecado social no Brasil e no mundo, para que possamos viver na certeza anunciada por Dom Bosco de que “Deus nos colocou no mundo para os outros”.

Fonte: sethcomunicacao.com

24 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Cursa Comunicação Social/Jornalismo na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).