Alguém pode comprar o céu?

“O Reino do Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo” (Mt 13,44).

A verdadeira descoberta da alegria pura se nos apresenta na forma singela e objetiva dessa pequena parábola sobre o Reino de Deus. Aqueles que descobrem que a verdadeira felicidade está em encontrar o tesouro do Reino de Deus, não temem mais perder as farpelas da vida para que as possamos oferecer em troca do maior e mais precioso tesouro da alegria: o Reino dos Céus. E por isso, em meio ao chamado de Nosso Senhor, que de modo imperativo ecoa nos corações generosos, devemos nos questionar: estamos dispostos a nos apresentar diante do Cristo para aprender a alienar diariamente os escombros de nossa caminhada para comprar o Tesouro maior? Eis este, o desafiador propósito: comprar o tesouro do Reino! Nós bem sabemos que não existem moedas suficientes nas reservas da segurança humana que o possa adquirir. Porquanto o único meio para se comprar o Reino de Deus é o valor do amor com que se ama a causa do mesmo. Deste modo, se faz mister suplicar à mercê do Bom Deus: que nos desperte a cada dia a vivermos desapegando-nos das alfarrobas supérfluas da vida para que o nosso coração e o nosso trabalho possam se transformar em moedas de valor eterno.

 

Eis as moedas valiosas que podem “comprar o céu” aquelas que são, essencialmente, fabricadas com o amor verdadeiro. E mesmo envoltas ao azinhavre de nossos pecados e de nossas mazelas, o Senhor acolhe, em sua misericórdia, as moedas de nossas vidas em favor do único e verdadeiro tesouro: a sua graça. Para tal barganha: a das coisas do mundo pelas coisas do alto, a do mealheiro vil pelo tesouro incorruptível, precisamos nos dispor a acolher de forma concreta, no nosso dia-a-dia, o convite que o Cristo nos faz para sermos trabalhadores de sua vinha.

Estamos vivenciando no seio da Igreja o Ano Vocacional, por isso eu pergunto: em alguma situação, você já se sentiu provocado a pensar qual seria o chamado que o Senhor lhe fez para a lida, na Ceara de seu Campo? À luz do lema desse ano de graças: “corações ardentes, pés a caminho” (Lc 24, 32-33), tirado do Evangelho de Lucas, podemos encontrar o verdadeiro “valor” do Céu, na experiência fiel da caminhada com Cristo, diariamente encontrando-o na Palavra, na Caridade e sobretudo no Partir o Pão.

Por fim, é preciso dizer que não basta vender o que se tem e comprar o que se almeja, no caso, o céu, como um filantropo de essências terrenas ou um milionário altruísta com boa aparência. Essa atitude nobre deve ser acompanhada da verdadeira alegria, da felicidade que impulsionou os Santos e Santas a se desapegarem até mesmo de suas vidas em favor da Vida verdadeira do Reino de Deus. Não basta a beneficência humana para se possuir o amor celeste, é preciso muito mais… mais que palavras… mais que gestos baratos… mais que boa vontade pessoal… é preciso ter o coração ardente pela Palavra do Ressuscitado e estar disposto a colocar os pés a caminho. Somente assim, seremos possuidores, um dia, pela “barganha” da vida, do tesouro incorruptível do Céu.