O presente documento visa oferecer indicações básicas para a adequação dos espaços
celebrativos no âmbito de nossa diocese. As informações a seguir apresentam os critérios e
requisitos fundamentais para a elaboração de propostas de intervenção que estejam em
consonância com as diretrizes e normativas da Igreja. Lembramos a relevância dos Estudos 106 e
113 da CNBB, que versam sobre o tema e trazem orientações claras a respeito das intervenções
no espaço sagrado. A Comissão Diocesana de Arquitetura, Arte Sacra e Bens Culturais coloca-se
à disposição para eventuais esclarecimentos.
Um projeto de adequação litúrgica deve seguir as diretrizes fundamentais do Concílio
Vaticano II e as normativas da Liturgia Reformada, especialmente as orientações da Instrução
Geral do Missal Romano.
As exigências essenciais incluem:
• Fundamentação teológica e pastoral:
▪ A arquitetura deve promover a participação ativa, consciente e frutuosa dos fiéis.
▪ Os elementos simbólicos do espaço devem fazer parte de um projeto iconográfico
integral.
• Hierarquia dos elementos litúrgicos:
▪ Altar: Deve ser fixo, permitindo que o sacerdote circule e fique voltado para a
assembleia. Ele é o centro ideal do eixo focal de toda a igreja. Ele deve
corresponder materialmente ao Ambão e a Sede para enfatizar a ligação entre
esses três elementos.
▪ Ambão: Deve garantir excelente visibilidade e acústica para a proclamação das
leituras. Ele deve corresponder materialmente ao Altar e a Sede para enfatizar a
ligação entre esses três elementos.
▪ Sede (Cadeira da Presidência): Deve estar bem posicionada e visível, orientada
frontalmente para a assembleia, sem se assemelhar a um trono suntuoso. Ela deve
corresponder materialmente ao Altar e ao Ambão para enfatizar a ligação entre
esses três elementos.
Critérios para a elaboração de uma boa Adequação Litúrgica:
Centralidade do Mistério Pascal: O espaço deve convergir visualmente para o Altar, que
representa o próprio Cristo.
Participação Ativa: A disposição dos bancos e a visibilidade devem integrar a assembleia como
corpo celebrante, evitando a sensação de mero público assistente.
Verdade dos Sinais: Os materiais devem ser autênticos e nobres. Deve-se priorizar pedra natural
para o altar, madeira maciça e elementos reais, evitando imitações (como mármore falso,
revestimentos que imitam materiais naturais ou qualquer outro material que simule elementos
naturais); a beleza da liturgia exige a dignidade da matéria real.
Nobre Simplicidade: O espaço deve ser belo, digno e sacro, sem excesso de ornamentos que
causem distração visual ou queiram remeter a outras épocas históricas. Isso também se aplica
aos elementos a serem utilizados nos espaços.
Eixos de Movimentação: O desenho do piso e dos corredores deve favorecer as procissões
rituais (entrada, Evangelho, comunhão) sem estrangulamentos ou barreiras.
Distinção de Espaços: Delimitação clara, mas integrada, entre o Presbitério, a Nave (espaço da
assembleia), o Batistério e a Capela do Santíssimo.
Autonomia dos Polos: O Altar e o Ambão devem ter igual dignidade e relevância visual,
mantendo um equilíbrio de pesos no presbitério. Isso também se aplica a Sede, que
preferencialmente deve se assemelhar, do ponto de vista do material e de design, aos outros
polos celebrativos. Isso para enfatizar os lugares de exercício do múnus sacerdotal, profético e
régio na ação litúrgica, vinculado aos polos celebrativos.
Piedade Popular: Correta harmonização das imagens de santos e devoções, garantindo que
fiquem em nichos ou capelas laterais, sem competir com a centralidade do altar. Para a
disposição das imagens sacras no espaço litúrgico é importante recordar que a centralidade do
espaço é sempre o Mistério Pascal de Cristo. Por isso, as devoções não devem ocupar a
centralidade desse Mistério. Sendo assim, recomenda-se a disposição das imagens sacras fora
do espaço do presbitério
