Assunção de Nossa Senhora

Lc 1,39-56

“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!”

Vemos no evangelho o encontro de duas mães que estabelece uma ligação entre as duas anunciações. Através de Isabel, o profeta precursor saúda e dá testemunho do Senhor Messias presente em Maria. O encontro das mães traz consigo elementos do AT como quando Davi exclamou: como poderá vir a mim a arca do Senhor? (2Sm 6,9). Maria é assim colocada como uma nova arca; aquela que carrega o Deus encarnado.

Lemos também o cântico de Maria descrever o programa que Deus tinha começado a realizar desde o começo. O programa prosseguiu em Maria e se cumpre agora na Igreja, para todos os tempos.

Em Maria, Deus já realizou a sua obra na totalidade; com ela, nós proclamamos: “dispersou os soberbos, exaltou os humildes”. Os humildes são aqueles que creem no cumprimento das palavras de Deus e se põem a caminho, aqueles que acolhem até ao mais íntimo do seu ser a Vida nova, Cristo, para o levar ao nosso mundo. Deus debruça-se sobre eles e cumpre neles maravilhas.

 Uma catequese sobre o Dogma

A Igreja celebra no dia 15 de agosto a solenidade da assunção de Maria, contudo, no Brasil a solenidade é transferida para o domingo posterior. Neste domingo deixamos a liturgia do 20º domingo do tempo comum para celebrar esta solenidade mariana. Neste espaço quero aproveitar para dizer a respeito da assunção de Maria.

A declaração dogmática acerca da assunção diz: “declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a imaculada Deípara, sempre virgem Maria, completado o curso da vida terrestre, foi assumida em corpo e alma na glória celeste.”[1] Significa dizer que Maria foi assumida no seio da Santíssima Trindade.

Esse ensinamento a respeito da Assunção de Maria tem ligação com a escatologia e antropologia cristãs. De acordo com a posição defendida pela escatologia atual a ressurreição do ser humano deve ser entendida como um evento que acontece de modo integral na morte. “O que se é de esperar para todos os homens – vida integra, imperdível, consumada em corporeidade na comunhão com o Deus tríuno – a Igreja já crê realizado em Maria.”[2] Maria se encontra inserida no seio da Trindade, mediante o Espírito Santo que a fecundou e a assumiu e o Filho que ela gerou.

A formulação central do dogma da Assunção diz que Maria teve uma união tão própria com a obra de Jesus, que essa união fez Maria participar de forma ressuscitada como a primeira criatura absolutamente redimida. Dessa maneira Maria é arquétipo da orientação fundamental de todo Ser Humano em Deus.[3]

Dessa maneira queremos apresentar Maria como sinal de esperança e modelo para todo aquele que crê. Ela deve ser vista como exemplo a ser imitado, pois assim como a Trindade agiu em Maria, ela agirá em todas as pessoas que se deixarem guiar pelo exemplo da Mãe de Deus.

[1] DS 3903.

[2] Theodor SCHNEIDER (org.), Manual de Dogmática, 2001, p. 168, (v. 2)

[3] Cf. Gerhard Ludwig MÜLLER, Dogmática católica: Teoria e prática da teologia, 2015, p. 359.